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Plantação de mudas e limpeza de rios: escolas investem em ações de educação ambiental; veja iniciativas

01/02/2024

A educação ambiental desempenha um papel fundamental para os estudantes e contribui para a construção de sociedades mais sustentáveis e resilientes no longo prazo. Mas como desenvolver consciência ambiental nas escolas? Nada melhor do que na prática.
O Colégio Santo Inácio, em Botafogo, vem integrando saberes tecnológicos e ambientais para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e promover a conscientização ambiental na comunidade escolar. Já o Pensi+, no Flamengo, promove ações e atividades dentro e fora das salas de aula com o projeto P+Futuro Verde. Estes são só dois dos vários exemplos em escolas da Zona Sul.
Nos últimos dois anos, os estudantes da 1ª série do ensino médio do Colégio Santo Inácio produziram mais de 1.300 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, como pau-brasil, ipê-amarelo, ipê-roxo, jatobá, jacarandá-da-bahia e urucum. Parte das mudas foi plantada na Estação Ambiental da instituição de ensino, uma área de mais de cinco mil metros quadrados que integra o setor Serra da Carioca da Floresta da Tijuca e fica dentro do colégio, e o excedente deve ser doado para parceiros externos. O potencial de absorção de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera ao longo dos primeiros 20 anos dessas árvores, quando todas forem plantadas, é de cerca de 217 toneladas.
Durante o processo de germinação e desenvolvimento das mudas, a tecnologia entra como aliada fundamental. Os estudantes aprendem conceitos de automação de lâmpadas para estimular o crescimento das plantas, cada uma com um fotoperíodo específico. Por meio da Internet das Coisas, os jovens também podem realizar a captação de dados ambientais para monitorar as espécies com uso de placas solares e sensores embarcados. Ao avaliar as demandas hídricas de cada espécie, por exemplo, é possível controlar a irrigação.
Como a área da Estação Ambiental já é adensada, e cerca de 70% da flora local é composta de jaca, espécie exótica invasora, os estudantes fazem um trabalho de enriquecimento florestal na região. A ideia é que as mudas de reflorestamento excedentes sejam não apenas doadas, mas um ponto de partida para o desenvolvimento de outros projetos socioambientais.
— Queremos transferir para outras comunidades a tecnologia que desenvolvemos no colégio, de modo que saibam produzir, plantar e até gerar renda a partir das mudas produzidas — diz Erica Ferreira, professora da Oficina de Sustentabilidade do Santo Inácio.
Os alunos da 1ª série do ensino médio também usaram artifícios tecnológicos para realizar um levantamento da fauna da Estação Ambiental entre 2022 e 2023. Ao utilizar técnicas como câmeras-trap, gravadores e monóculos para observações, os estudantes mapearam a riqueza da biodiversidade local. Foram identificadas espécies como caxinguelê, cachorro-do-mato, pacas, gambá-de-orelha-preta, macaco-prego e tatu-galinha e aves como tucano-de-bico-preto, tangará e tiê-sangue. A escolha das sementes a serem desenvolvidas para plantio também é feita de acordo com os animais mapeados na região.
Em parcerias com ONGs, como Ipê, de São Paulo; e Instituto Vida Livre, do Jardim Botânico, no Rio , o Pensi+ almeja ter a educação ambiental como pauta constante na escola, possibilitando uma coletividade mais engajada com a temática e mais ativa em relação a ações efetivas de cuidado com o meio ambiente.
— Com o projeto P+Futuro Verde, desejamos motivar os alunos e suas famílias a vislumbrarem um futuro em que a natureza é respeitada e a sociedade está mais consciente sobre a importância da preservação do planeta — explica Nathallia de Vasconcellos Guimarães, vice-diretora do Pensi+.
Recentemente, o colégio criou ações ligadas à reunião da Cúpula da ONU, que ocorreu em setembro do ano passado, cuja temática girou em torno das mudanças climáticas advindas do mês de julho mais quente da história e as consequências dessas mudanças.
A partir disso, alunos e familiares foram convocados a se empenharem em atividades como a Bike Friday, em que todos foram motivados a usar bicicletas ou outros meios de transporte menos poluentes no deslocamento para a escola; e a Garage Sale, oportunidade de trocar livros, roupas e brinquedos, seguindo a premissa da economia circular.
Com duas unidades na Gávea, a Escola Parque realiza há mais de 13 anos o projeto Educar para a Sustentabilidade. Recentemente tornou-se a primeira instituição escolar do país a obter da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) o título de Neutralidade de Carbono. O trabalho, iniciado em 2023, fez com que a instituição, que integra a Bahema Educação, neutralizasse 100% das emissões diretas de gases do efeito estufa (GEE) das operações de suas cinco escolas do Rio. O projeto, que envolveu toda a comunidade escolar, teve como resultado o equivalente à preservação de 35 mil árvores na Amazônia.
Outro programa da instituição é o Bem Viver, que tem como base os saberes dos povos originários, o respeito à diversidade e a conexão entre todos os seres vivos e a Terra.
A Escola de Educação Infantil Favinho & Mel, em Botafogo, criou o Polinizando, projeto que surgiu após a descoberta de que em um canteiro próximo à escola havia colmeias de abelhas nativas que eram destruídas. Em 2021, a escola adotou oficialmente o espaço, na altura do número 30 do Largo dos Leões, no Humaitá; e desde então tem cuidado da limpeza e feito mutirões de plantio. O projeto também é realizado dentro da escola, e a ideia é levá-lo a outros locais.
Desenvolvida em conjunto pelas secretarias municipais de Educação e de Meio Ambiente e Clima, o projeto Esse Rio é Meu será ampliado em 2024. O programa tem como desafio tornar o município o primeiro do país a recuperar os rios da cidade por meio das escolas. Este ano serão 1.545 escolas e 267 rios e córregos. Em 2023, foram 773 escolas e 68 rios; e em 2022, 127 unidades e 18 rios.
Outra iniciativa que é uma parceria entre as duas secretarias é o livro infantil com o título de “Preguiça, o bicho que só queria viver em paz”, que tem previsão de ser lançado no início do ano letivo e distribuído nas escolas. A obra é inspirada na mobilização do coletivo Amigos da Praça Radial Sul, em Botafogo, que deu origem à criação do Parque Maciço da Preguiça, cuja previsão de inauguração é para os próximos meses.
A secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Tainá de Paula, explica que a partir do Centro de Educação Ambiental (CEA) da secretaria, a pasta tem como objetivo cada vez mais formar um público antenado e engajado nas metas ambientais e climáticas da cidade do Rio.
— É muito importante pensarmos em diversos públicos: primeira infância, juventude, terceira idade. E temos ações voltadas para cada faixa etária. O livro e Esse é Rio é Meu são alguns destes projetos. A educação ambiental e a primeira infância ganham mais espaço na secretaria em 2024 — afirma a secretária.

Fonte: O Globo

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