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França pode taxar roupas de fast fashion para frear impacto da indústria

07/03/2024

O mercado da moda rápida, ou fast fashion, produz peças cada vez mais baratas, em maior quantidade e com uma qualidade duvidosa. O resultado são mais compras – e um grande lucro para as empresas – e uma grande quantidade de roupas descartadas em uma velocidade crescente. O prejuízo fica com quem gasta dinheiro comprando itens que não vão durar e com o planeta, porque o impacto ambiental desta indústria é enorme.
No Chile, a montanha de peças descartadas pelo mercado de fast fashion já pode ser visto do espaço. As roupas se acumulam no deserto do Atacama depois de chegar ao país com a justificativa de serem “revendidas como peças de segunda mão”, o que raramente acontece.
Para promover a circularidade e evitar o consumo desnecessário, a França começou a oferecer incentivos financeiros para quem reparasse as suas próprias roupas, em 2023. Com a iniciativa, é possível resgatar entre 6 e 25 euros sobre o custo das reparações realizadas por profissionais de reparação certificados.
Agora o país estuda dar um passo a mais para frear o impacto ambiental da indústria de moda considerando novas penalidades para as empresas de fast fashion, com o objetivo de diminuir o consumo e o desperdício de roupas. Segundo o jornal The Guardian, as pessoas descartam cerca de 700 mil toneladas métricas de roupas na França todos os anos, e cerca de 66% desse lixo é enviado para aterros sanitários.
Com a nova medida, as empresas de fast fashion pagariam multas por cada artigo vendido, como forma de compensar o impacto ambiental da indústria.
Membros do parlamento na França propuseram um projeto de lei que cobraria até 50% do preço de venda de itens de marcas como a Shein, citada no projeto, e Temu. O projeto de lei observou que só a Shein tem mais de 470 mil produtos disponíveis, com mais de 7 mil novos itens diariamente, de acordo com a agência de notícias Reuters.
“Esta evolução do setor do vestuário para uma moda efêmera, combinando volumes crescentes e preços baixos, está influenciando os hábitos de compra dos consumidores, criando impulsos de compra e uma necessidade constante de renovação, o que não é isento de consequências ambientais, sociais e econômicas”, afirma o projeto de lei.
Em 2019, 43% dos compradores entrevistados em França disseram que normalmente compravam as suas roupas em retalhistas de fast fashion. As segundas maiores respostas foram lojas de segunda mão online e brechós tradicionais, cada uma com 8%.
Como resposta, e num esforço para uma economia mais circular, conforme descrito na lei AGEC aprovada em 2020, os legisladores em França propuseram cobrar das empresas de fast fashion até 10 euros por item vendido ou até 50% do preço de venda, com penalidades entrando em vigor até 2030.
As multas serão discutidas por uma comissão parlamentar e apresentadas ao parlamento no final de março, informou a Reuters.
De acordo com Christophe Béchu, Ministro da Transição Ecológica e da Coesão Territorial de França, haverá propostas adicionais para reduzir os impactos ambientais negativos da indústria da moda, incluindo a proibição da publicidade de moda ultrarrápida e incentivos financeiros para reduzir o custo da moda sustentável.

Fonte: CicloVivo

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