
20/03/2024
Os humanos não são os únicos seres vivos que têm rituais para lidar com a morte. Alguns animais também apresentam comportamentos particulares quando um deles morre.
🐘 É o caso dos elefantes asiáticos — e graças a um novo estudo, esses rituais foram fotografados pela primeira vez.
A pesquisa também mostra que os elefantes chegam a carregar durante dias os corpos de suas crias mortas até achar o local apropriado para o sepultamento, enquanto suas trombas emitem bramidos de lamento.
A revelação faz parte um estudo elaborado por dois cientistas indianos, publicado na revista científica Journal of Threatened Taxa.
Na pesquisa, realizada entre 2022 e 2023, Akashdeep Roy, do Instituto de Educação e Pesquisa Científica de Pune, e Parveen Kaswan, do Serviço Florestal da Índia, registraram cinco casos de enterros de bebês elefantes.
Os casos foram registrados na região de Bengala, no nordeste do país — e, segundo os dados científicos, não houve intervenção humana.
Os enterros de crias são eventos extremamente raros na natureza.
As pegadas e rastros de esterco que os pesquisadores encontraram nas cinco sepulturas indicam que elefantes de todas as idades contribuíram para cada sepultamento.
Isso, de acordo com o estudo, é uma prova do “comportamento compassivo e prestativo” manifestado pelos membros da manada.
Todos os corpos foram encontrados na mesma posição, enterrados em canais de drenagem abertos por agricultores e cobertos de terra com as patas para cima.
“É a posição mais acessível para sustentar e colocar o corpo nas valas”, explicou Roy ao portal Live Science.
Esta posição também permite que mais de um membro da manada participe do processo de sepultamento. — Roy à revista New Scientist
Após o enterro, os agricultores entrevistados afirmaram ter ouvido os elefantes bramindo.
Roy acredita que esses sons eram para “expressar agonia e dor” — e também para “prestar homenagem aos animais mortos”.
Mas por que só os filhotes recebem esse tratamento quando morrem?
Porque “não é viável” transportar e depois enterrar elefantes jovens ou adultos, devido ao seu tamanho e peso, explica a pesquisa.
Estudos anteriores haviam revelado que os elefantes asiáticos vivem o luto em família, afirmou Raman Sukumar, pesquisador do Instituto Indiano de Ciência, à revista National Geographic.
Além disso, observaram que esses animais respondiam ao luto com carícias e outras demonstrações de afeto.
Já tinha sido observado que os elefantes africanos realizam rituais fúnebres, cobrindo suas crias com ramos e folhas, mas este estudo com elefantes asiáticos é o primeiro registro de elefantes colocando os corpos em uma posição específica — e sepultando-os com terra, informa a Live Science.
Os elefantes asiáticos não enterram seus filhotes em qualquer lugar.
Esses paquidermes escolhem “locais isolados, longe de seres humanos e animais carnívoros, enquanto procuram valas e depressões para enterrar o corpo, afirma o estudo.
Os cinco casos de corpos sepultados registrados na pesquisa foram encontrados em áreas de cultivo de chá, longe de áreas povoadas.
Os cientistas exumaram os corpos para estudá-los — e descobriram que a idade dos animais variava de 3 meses a um ano. Vários deles estavam desnutridos ou apresentavam infecções.
🐘 Os hematomas encontrados nas costas de cada filhote sugerem que eles foram arrastados por adultos por longas distâncias até os locais de sepultamento.
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
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