
26/03/2024
No Dia Mundial da Água é importante lembrar que as ações humanas estão ameaçando o equilíbrio da vida nos oceanos, que concentram mais de 97% de toda a água do planeta. A água salgada dos mares também está se aquecendo com as mudanças climáticas: em fevereiro deste ano, a temperatura da superfície do oceano foi a mais alta já registrada na história, com média de 21,06ºC, superando o recorde anterior, de agosto de 2023, quando a média mensal foi de 20,98°C.
Entre muitos impactos negativos, esta variação de temperatura ameaça os recifes de corais. “Esses ecossistemas ocupam só 0,1% do fundo do mar, mas têm funções ecológicas essenciais, oferecendo abrigo e alimentos para cerca de 25% das espécies marinhas”, afirma a bióloga Janaína Bumbeer, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
“Os recifes de corais são muito sensíveis ao aquecimento da água do mar. Aparentemente pequenas para nós, variações de temperaturas como essas podem desencadear problemas crônicos no oceano”, frisa Janaína.
A especialista explica ainda que o Acordo de Paris propõe limitar o aquecimento do planeta abaixo de 2°C, provocando esforços globais para que o aumento não ultrapasse 1,5°C. Entretanto, relatório da agência das Nações Unidos para o Meio Ambiente afirma que, no cenário mais otimista, a probabilidade de limitar o aquecimento a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais é de apenas 14%.
“Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáricas (IPCC), a diferença de meio grau pode ser o limiar entre a sobrevivência e o colapso total dos recifes de corais do mundo, uma vez que, com o aquecimento de 1,5°C, devemos perder de 70% a 90% dos recifes de corais do planeta, mas o aquecimento de 2°C representaria o fim desse ecossistema”, alerta Janaína. “Além do comprometimento dos países, também precisamos do engajamento da sociedade para reduzir a emissão de gases de efeito estufa – responsável pelo aquecimento dos mares -, e de outros riscos enfrentados pelos corais, como a poluição e a sobrepesca”, completa.
A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica diversas espécies de corais em “risco crítico” devido à crise climática. “Uma das principais ameaças é o branqueamento dos corais, processo causado pelo aquecimento e acidificação do oceano no qual o tecido desses organismos fica translúcido, revelando seu esqueleto de carbonato de cálcio e provocando a diminuição da capacidade reprodutiva, redução das taxas de crescimento e de calcificação, o que pode provocar a morte dos corais”, explica.
Os recifes de corais são considerados os ecossistemas mais diversos da Terra. Estima-se que uma a cada quatro espécies marinhas vive ou passa parte da vida nos recifes e neles são encontrados 65% dos peixes do mar. Esses ecossistemas são verdadeiros condomínios subaquáticos, além de servir de alimento e abrigo para outras espécies que estão de passagem.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a região Nordeste do Brasil concentra os únicos ambientes de recifes de corais do Atlântico Sul, estendendo-se por cerca de 3 mil quilômetros ao longo da costa. O Brasil possui 24 espécies de corais duros, algumas delas exclusivas do país. Parte desses ecossistemas são protegidos por 21 unidades de conservação (UCs) marinhas, administradas pelo governo federal, estados e municípios.
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