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Morte de milhares de pinguins na Antártida é investigada em meio a gripe aviária

09/04/2024

A gripe aviária já matou centenas, senão milhares de pinguins na Antártida?
É o que pesquisadores estão tentando descobrir depois que uma expedição científica no mês passado encontrou pelo menos 532 pinguins-de-adélia mortos, além de outros milhares que provavelmente tenham morrido, de acordo com comunicado da Federação Universitária da Austrália.
Os pesquisadores suspeitam que o vírus mortal da gripe aviária H5N1 tenha matado os pinguins, mas os testes de campo foram inconclusivos, disse a universidade. As amostras então estão sendo enviadas para laboratórios que, esperam, darão respostas nos próximos meses.A doença se espalhou de forma mais agressiva na vida selvagem do que nunca desde que chegou à América do Sul em 2022 e rapidamente atingiu a Antártida, onde o primeiro caso de H5N1 foi confirmado em fevereiro.
"Existe o potencial de um impacto massivo na vida selvagem, que já está sendo afetada por questões como as mudanças climáticas e outros estresses ambientais", disse Meagan Dewar, bióloga de vida selvagem da Federação Universitária, que participou da última expedição.
Dewar afirmou à Reuters que os pinguins-de-adélia foram encontrados mortos congelados em temperaturas abaixo de zero e cobertos de neve na ilha Heroína.
Dewar e a sua pequena equipe de pesquisadores não conseguiram contabilizar todos os cadáveres na grande ilha, por isso estimam que, ao todo, milhares tenham morrido em algum momento das semanas ou meses anteriores.
Os cientistas estão preocupados que a influenza H5N1, frequentemente fatal, possa dizimar espécies ameaçadas de pinguins e outros animais no remoto continente do sul.
Uma colônia de aproximadamente 280 mil pinguins-de-adélia se reproduz anualmente na ilha Heroína. Por já terem terminado a reprodução, os pinguins vivos já tinham mudado de local quando a expedição chegou, disse Dewar.
A expedição de Dewar encontrou a presença da cepa H5 da gripe aviária na península antártica e em três ilhas próximas em aves skua, predadoras que se alimentam de ovos e filhotes de pinguim.
Cerca de 20 milhões de casais de pinguins se reproduzem na Antártida por ano, de acordo com dados da Pesquisa Antártica Britânica.
Isso inclui pinguins-imperadores, que os cientistas temem que estarão quase extintos até o final do século, à medida que o gelo marinho diminui devido às mudanças climáticas. O derretimento do gelo marinho em 2022 levou milhares de filhotes de pinguim-imperador a se afogarem.
Os pinguins-imperadores agora podem enfrentar a ameaça adicional da gripe aviária mortal, disse Dewar.
"Agora há o potencial de que os pinguins-imperadores possam ser afetados na primavera do próximo ano", ressaltou ela.

Fonte: Folha de S. Paulo

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