
09/04/2024
A presença do mosquito-pólvora no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, além de deixar a população em alerta, tem chamado a atenção do Departamento de Defesa Vegetal, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, que já está monitorando o comportamento e proliferação do inseto nos bananais da região. Desequilíbrio ambiental está entre as hipóteses avaliadas pelo órgão para a elevada presença do mosquito.
"A gente tem feito monitoramento das pragas de bananais. É uma atividade constante. Comecei a perceber uma flutuação de curva ascendente desses mosquitos nos últimos três anos. E no último mês recebi relatos de moradores e produtores", diz Alonso Duarte de Andrade, fiscal estadual agropecuário.
Com a proliferação do mosquito-pólvora, uma análise foi iniciada para compreender a realidade que favorece o ciclo reprodutivo dele no local. Além do bananal ser um espaço de bastante matéria orgânica e umidade, em um contexto macro, a Defesa Vegetal tem avaliado três possibilidades desse cenário.
"Desequilíbrio ambiental, mudança climática e manejo incorreto de químicos", destaca Andrade.
Há, segundo o fiscal agropecuário, aspectos a serem avaliados para apresentar uma resposta conclusiva. No entanto, já estão sendo realizados testes de soluções para reduzir a presença do inseto.
Entre as ações previstas para o manejo de praga estão drenagem, uso de armadilhas, controle de bactérias e, em último caso, controle químico.
De acordo com Andrade, o controle químico não seria a primeira opção devido à característica do cultivo ecológico, "pois pode afetar os bananais e ter impacto na cadeia produtiva" dos agricultores.
O uso de inseticidas também não é recomendado, uma vez que os maruins podem se adaptar e criar resistência aos produtos.
Esse inseto, que mede até 4 milímetros, costuma buscar locais com umidade e temperaturas elevadas. A presença do mosquito-pólvora é maior no verão, conforme explica o fiscal estadual agropecuário.
Com as ferramentas de controle de praga, segundo Andrade, a intenção está em "quebrar o ciclo de reprodução do mosquito, para que em setembro, período que deve se manifestar novamente, ele esteja equilibrado com o meio ambiente".
Conhecido ainda como maruim, este mosquito é uma espécie de inseto transmissor de viroses. A praga está sendo chamada de mosquito-pólvora por ser tão pequena e de coloração preta, como um grão da substância explosiva.
Uma das análises que está sendo realizada no Rio Grande do Sul pela Defesa Vegetal é a identificação da espécie desse mosquito, a fim de confirmar se esses que estão presentes no Litoral Norte do RS são os Culicoides paraensis, conhecidos como vetores da Febre Oropoche.
Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas da doença são parecidos com os da dengue e da chikungunya: dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, náusea e diarreia.
O diagnóstico clínico e laboratorial deve ser notificado de forma imediata, em razão do risco epidemiológico e da capacidade de mutação do vírus que provoca a doença.
O Ministério da Saúde afirma que não existe tratamento específico contra a doença.
Veja onde há registro de proliferação clicando no g1
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