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“Temos 2 anos para salvar o planeta”, diz chefe do clima da ONU

16/04/2024

Dois anos. Este é o prazo que temos para “salvar o mundo” dos efeitos das mudanças climáticas. Quem afirma isso é o secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, Simon Stiell.
Em um pronunciamento intitulado “Dois anos para salvar o mundo”, Stiell enfatizou que os governos, os bancos de desenvolvimento e os líderes empresariais precisam aceitar que o prazo está se encerrando para evitar consequências cada vez mais extremas da emergência climática. O discurso aconteceu na última quarta-feira, 10 de abril, no thinktank londrino Chatham House, e trouxe um alerta contundente.
“Para aqueles que dizem que as alterações climáticas são apenas uma de muitas prioridades, como acabar com a pobreza, acabar com a fome, acabar com as pandemias ou melhorar a educação, digo o seguinte: nenhuma destas tarefas cruciais e nenhum dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável será possível, a menos que consigamos controlar a crise climática”, disse Stiell.
De acordo com a ONU, reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 45% até 2030 é essencial para manter o aquecimento global dentro de 1,5 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais. Mas a realidade que vivemos é inegavelmente oposta: as emissões não estão caindo nesta velocidade e o calor segue aumentando. De acordo com o Serviço de Alterações Climáticas Copernicus da União Europeia, durante 10 meses consecutivos, as temperaturas globais atingiram níveis recordes.
“A partir de hoje, os planos climáticos nacionais, chamados Contribuições Nacionalmente Determinadas ou NDCs, no seu conjunto dificilmente reduzirão as emissões até 2030”, disse Stiell. “Ainda temos a oportunidade de fazer cair as emissões de gases com efeito de estufa, com uma nova geração de planos climáticos nacionais. Mas precisamos desses planos mais fortes agora. E embora cada país deva apresentar um novo plano, a realidade é que as emissões do G20 representam cerca de 80% das emissões globais.”
O foco da COP29, próxima conferência climática da ONU a ser realizada em Baku, Azerbaijão, será a apresentação por parte dos países de novas metas de financiamento climático para apoiar os países em desenvolvimento no combate às mudanças climáticas e na transição dos combustíveis fósseis.
“Um salto este ano no financiamento climático é essencial e totalmente alcançável. Todos os dias, ministros das finanças, CEOs, investidores e banqueiros de desenvolvimento direcionam triliões de dólares. É hora de transferir esses dólares da energia e das infraestruturas do passado para um futuro mais limpo e mais resiliente… E de garantir que os países mais pobres e vulneráveis ​​se beneficiem”, disse Stiell em Chatham House.
Segundo a agência de notícias Reuters, o chefe do clima recomendou que o alívio da dívida, os impostos sobre as emissões do transporte marítimo, o financiamento menos dispendioso para os países com menos recursos e as reformas do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial fossem usados ​​para angariar mais fundos para o financiamento climático.
“Para começar a curar este cancro global da desigualdade, precisamos de permitir novos planos climáticos nacionais ousados ​​por todas as nações que protejam as pessoas, aumentem o emprego e impulsionem o crescimento econômico inclusivo. E precisamos deles no início do próximo ano”, acrescentou Stiell.
“O potencial transformador de uma ação climática ousada – em conjunto com medidas para promover a igualdade de gênero – é uma das formas mais rápidas de abandonar os modelos de negócio atuais. Na verdade, a manutenção do status quo irá consolidar ainda mais as desigualdades flagrantes entre os países e comunidades mais ricos e mais pobres do mundo, algo que os impactos climáticos descontrolados estão a agravar muito”, enfatizou o secretário executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas.
Stiell ressalta que as mudanças necessárias não são responsabilidade única de governos e legisladores, mas de todas as pessoas do mundo. “Uma pesquisa recente realizada pela Gallup com 130 mil pessoas em 125 países descobriu que 89% desejam uma ação climática mais forte por parte dos governos. Mas a única maneira infalível de colocar o clima na agenda dos gabinetes é que um número significativo de pessoas levante a voz”.
“Portanto, a minha mensagem final hoje é para pessoas de todo o mundo: cada voz é importante. Sua voz nunca foi tão importante. Se você deseja uma ação climática mais ousada, agora é a hora de fazer a sua voz ser ouvida”, finalizou o secretário da ONU.

Fonte: CicloVivo

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