
16/04/2024
Os plásticos descartáveis representam mais de 70% da poluição dos oceanos – itens usados por alguns minutos que permanecem no planeta por séculos, ameaçando os ecossistemas e a saúde humana. Para combater a poluição plástica, a redução do plástico de uso único é muito mais eficiente que a reciclagem – que em 1986 já havia sido apontada por cientistas como uma solução insuficiente.
A medida tem o apoio da opinião pública: 85% das pessoas do mundo acreditam que um tratado global sobre poluição plástica deveria proibir os plásticos descartáveis. É isso que aponta uma nova pesquisa global sobre o tema, realizada pela Ipsos com mais de 24 mil pessoas em 32 países – os entrevistados tinham entre 16 e 74 anos e o trabalho de campo foi realizado entre 25 de agosto e 6 de outubro de 2023.
A pesquisa foi encomendada pelo WWF e pela Plastic Free Foundation à empresa de pesquisa global Ipsos. A partir de dados quantitativos buscou entender a opinião pública sobre uma série de regras globais propostas para regular a produção, o consumo e a gestão dos plásticos, que podem ser incluídas no tratado da ONU.
Esses dados foram divulgados antes da quarta e penúltima negociação do tratado sobre poluição plástica, que acontece no Canadá, de 23 a 29 de abril. Com um tempo muito limitado para os negociadores concluírem um acordo significativo já que as negociações devem ser concluídas no final desse ano.
“Neste momento, estamos numa encruzilhada. As próximas negociações em Ottawa determinarão se conseguiremos ou não o tratado prometido até o final de 2024. Sabemos, através de outros tratados ambientais, que nada menos do que regras e obrigações globais vinculativas em toda a cadeia de valor dos plásticos irá travar o problema. Contentar-se com menos é indefensável”, alerta Eirik Lindebjerg, Líder Global de Plásticos, WWF Internacional.
Desde dezembro de 2022, as nações vêm discutindo e desenvolvendo um Tratado Global da ONU para acabar com a poluição por plásticos, um desafio ambiental mundial cada vez mais urgente. De acordo com estudo da The Pew Charitable Trusts e SYSTEMIQ, se nada for feito, a quantidade de plástico entrando na economia até 2040 vai dobrar, o volume de plásticos indo para os oceanos vai triplicar e os estoques de plástico nos oceanos irão quadruplicar. Este dado vai ao encontro das descobertas do estudo “The New Plastics Economy: Rethinking the future of plastics”, publicado em 2016 pela Fundação Ellen MacArthur, que apontou que em 2050 pode haver mais plásticos do que peixes no oceano.
Com mais de 430 milhões de toneladas de plástico virgem produzidos todos os anos – 60% dos quais são de utilização única – e apenas 9% desse plástico sendo reciclado em todo o mundo atualmente, uma proibição global de plásticos de utilização única, considerados desnecessários, evitáveis e prejudiciais, é uma das várias medidas urgentes que o público deseja ver no tratado. Outras proibições altamente favorecidas incluem as relativas a produtos químicos nocivos utilizados em plástico (que 90% apoiaram) e produtos plásticos que não podem ser reciclados de forma fácil e segura nos países onde são utilizados (87%).
Além disso, os resultados revelam um entendimento generalizado de que as proibições por si só não são suficientes para acabar com a crise da poluição plástica – os cidadãos entrevistados em todo o mundo também apoiam fortemente a reformulação do atual sistema de plásticos para garantir que os plásticos restantes possam ser reutilizados e reciclados com segurança.
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