
09/05/2024
Uma brasileira especialista em restauração de rios ganhou o troféu UK River Prize em 2024, na Inglaterra, após coordenar um projeto de recuperação do Rio Rom, no Leste de Londres, Inglaterra. Carolina Orlandi Pinto ainda celebra a premiação, promovida pelo The River Restoration Center, que reuniu mais de 400 nomes que são referências nesta área ambiental.
O projeto "Rewilding the Rom" foi desenvolvido pela ONG Thames21, coordenado pela brasileira junto a uma equipe de cinco pessoas, em um trabalho que durou cerca de seis anos. O resultado foi divulgado no final de abril.
Segundo a pesquisadora, o Rio Rom está em uma área degradada da cidade de Londres, urbanizada e com problemas de poluição. O projeto foi capaz de transformar o trecho recuperado em um ambiente saudável para a vida selvagem, reduzindo o risco de inundação para os moradores locais.
"O prêmio UK River Prize reconhece os esforços de indivíduos e organizações que trabalham para melhorar a integridade ecológica dos rios e bacias hidrográficas, destacando os benefícios sociais de um ambiente natural saudável. Estamos extremamente honrados por sermos reconhecidos, é um testemunho do trabalho árduo e dedicado de nossa equipe, bem como do apoio da comunidade local", celebrou a pesquisadora.
Esse é o prêmio mais prestigiado do Reino Unido nesta área. Sua edição acontece anualmente. O projeto da Carolina venceu na categoria "trechos de rios restaurados", por reconhecimento de mérito.
O Rom é um dos principais afluentes do Rio Tâmisa, nasce em área rural e corta a capital inglesa até chegar ao Tâmisa. O trabalho foi feito em um trecho específico, em parceria com a prefeitura, que investe na implementação de áreas verdes.
"Nós tínhamos dois principais objetivos, a criação de habitat para vida selvagem e gestão natural de enchentes, criando bacias de alagados, segurando a água para que regiões que sofriam com alagamentos ficassem mais protegidas. E tudo usando métodos naturais, adicionando madeiras no curso d´água para formar meandros, adicionando gravetos e galhos para aumentar a rugosidade do curso da água e wetlands para filtrar recursos", explicou.
Segundo Carolina, o desmatamento acarreta a sedimentação e a perda de características naturais de um rio, como as curvas do leito.
"Quando você coloca esses elementos naturais de volta no canal, você está trazendo de volta essas curvas, que são os meandros do rio. O rio também flui mais devagar e isso ajuda a manter o volume de água. Com o fluxo mais lento, o sedimento vai se assentando no fundo e a água fica mais limpa", pontuou Carolina.
O projeto começou a ser desenvolvido em 2016 e o trabalho foi realizado ao longo de seis anos.
"Foram alguns anos de dedicação. A verba saiu em 2018 e a construção da estrutura durou seis meses. Já o monitoramento é a parte mais longa, foram cerca de seis anos para ser realizado. Hoje, conseguimos como resultado ambientes diferentes dentro no mesmo rio, a fauna começa a reaparecer, as margens estão mais estabelecidas, sofrendo menos com a sedimentação".
A pesquisadora celebra os registros recentes do Water Vole, um mamífero local que está em extinção, mas voltou a ser visto no trecho recuperado do Rio Rom, trazendo uma esperança de repovoamento da espécie.
"É como um rato d´água, esse mamífero é um dos que mais está em declínio no Reino Unido. Um dos objetivos foi restaurar o habitat para essa espécie e nós conseguimos. Através de monitoramento, detectamos a presença no trecho onde fizemos o restauro, depois de anos sem ser visto na região".
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