
09/05/2024
O Museu Nacional recebeu uma coleção de 1104 fósseis de plantas e de insetos encontrados na Bacia do Araripe, entre Ceará, Pernambuco e Piauí. Segundo o presidente da instituição, é mais significativa doação até o momento para a recomposição do acervo do museu, destruído no incêndio de setembro de 2018. Um colecionador particular, Burkhard Pohl, fez a doação. Um dos destaques apresentados foi o fóssil de um pterossauro.
— A coleção é absolutamente fantástica. Ainda estamos estudando todos os itens. Mas reúne dinossauros e pterossauros. Reúne também plantas e diversos insetos. É uma coleção que oferece uma amostra do ecossistema que nós tínhamos na região do Crato, há 115 ou 120 milhões de anos — observou o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, durante a apresentação das peças na manhã desta terça-feira (07), na Quinta da Boa Vista.
A captação das peças se tornou possível após parceria entre o Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Inclusartiz. Pesquisadores do museu puderam participar de escavações para a descoberta de novos fósseis no Wyoming, nos Estados Unidos.
Todo o material da Bacia do Araripe que estava com o colecionador ficará disponível para estudo e catalogação. Kellner explicou que pelo menos 80% das peças deverão, pela importância, ganhar uma sala para exposição no novo museu.
O diretor confirmou que o novo museu reabrirá as portas no primeiro semestre de 2026, possivelmente com um acervo, em quantidade, bem maior do que o do antigo museu. Ele assinalou que a área expositiva era de aproximadamente 3540 metros quadrados, apresentando em torno de 5500 peças.
— Hoje, a nova exposição da nossa instituição vai ter algo em torno de 6 a 7 mil metros quadrados. E nós estamos procurando, num primeiro momento, dez mil peças para expor — observou o diretor.
Mas há muito trabalho de captação para se fazer. A direção do museu esteve recentemente no Egito em busca de mais peças. Kellner admitiu que busca novidades do Antigo Egito para expor, mas não quis dar detalhes. O MN possuía a maior coleção de múmias egípcias da América Latina, entre as quais havia a da cantora sacerdotisa Sha-Amun-en-su.
Frances Reynolds, do Instituto Inclusartiz, observou que há muitos entraves para se ampliar o acervo, mas destacou a importância de se fortalecer as relações com outras instituições. Mecenas e ativista cultural argentina, ela vem trabalhando justamente para viabilizar novas parcerias para o Museu Nacional, como a celebrada com o colecionador Burkhard Pohl.
— Muitos governos por lei não podem doar suas coleções, mas podem emprestar por longo prazo. Então, há essas duas possibilidades: doação e empréstimos a longo prazo com instituições públicas e museus. Trabalho todo dia tricotando para conseguir que as pessoas tomem consciência e passem a cooperar — assinalou Frances, que se declara de ´alma brasileira´.
Alexander Kellner prometeu apresentar, em audiência pública no mês que vem, mais detalhes sobre o novo acervo e as obras das modernas instalações no Paço de São Cristóvão.
— Precisamos reconstruir o museu. Estamos trabalhando. As obras continuam, mas para conversar um pouco mais com a sociedade, dentro do mote de transparência, no dia 5 de junho, vamos ter uma audiência pública no Congresso Nacional, na parte da tarde, no âmbito da Comissão de Cultura, onde nós vamos falar sobre o Museu Nacional, os problemas, os avanços e as necessidades — finalizou.
Fonte: O Globo
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