
14/05/2024
Dois navios chegaram às Ilhas Cook, no sul do Pacífico, em março do ano passado. Um era familiar: um enorme cruzeiro carregando centenas de turistas para as praias intocadas deste país de 15 mil habitantes.
O outro, um navio laranja-neon transportando equipamentos científicos complexos, era mais incomum.
Em um cais próximo, o primeiro-ministro Mark Brown e muitos outros cidadãos proeminentes se reuniram para celebrar a chegada do barco menor. Para Brown, o cruzeiro representava a preocupante dependência de seu país em relação ao turismo. Ele descreveu o outro navio, pertencente a uma empresa de mineração multinacional, como um prenúncio de riqueza incrível.
As Ilhas Cook estão na vanguarda de uma busca para explorar o fundo do oceano atrás de minerais usados em baterias de carros elétricos.
A mineração desses depósitos nunca foi tentada em grande escala, mas seus recursos são tão vastos, argumentam os defensores, que extrair esses minerais poderia impulsionar a transição para longe dos combustíveis fósseis.
Seria uma transformação também para as Ilhas Cook: a mineração do leito marinho poderia gerar dezenas de bilhões de dólares para o pequeno país, de acordo com um estudo de 2019. Sua renda per capita é de cerca de US$ 11 mil (R$ 56 mil).
Mas a mineração do leito marinho enfrenta forte oposição de ambientalistas, que se preocupam que isso prejudicaria a ecologia do fundo do mar. Mais de 800 cientistas pediram uma moratória sobre a prática, assim como a França, o Reino Unido e grandes empresas como Google e BMW.
Por dois anos, empresas de mineração têm avaliado a viabilidade da mineração do fundo do mar nas águas das Ilhas Cook.
O governo está preparado para tomar a decisão em 2027 se permitirá a prática, e enfrenta uma pressão crescente em casa e no exterior de críticos que dizem que está se apressando em adotar uma prática não testada.
"O governo está promovendo agressivamente a mineração em águas profundas", disse Duncan Currie, consultor da High Seas Alliance e de outras organizações internacionais de conservação. "Eles parecem estar buscando a mineração do fundo do mar independentemente dos efeitos adversos."
Brown, o primeiro-ministro, insistiu que as Ilhas Cook não se comprometeram com a mineração.
As críticas "podem ser irritantes, às vezes", disse ele em entrevista. Explorar as possibilidades da mineração do fundo do mar faz parte de nossa jornada de independência soberana".
No passado, ele reagiu mais fortemente contra os críticos.
"Os mesmos países que destroem nosso planeta ao longo de décadas de desenvolvimento voltado ao lucro, e que até hoje continuam orientados pelo lucro e negligenciam suas responsabilidades em relação às mudanças climáticas, estão fazendo exigências", disse ele em uma conferência de 2022.
"É paternalista e implica que somos muito burros ou muito gananciosos para saber o que estamos fazendo."
As Ilhas Cook, uma cadeia de 15 ilhas que já foi uma colônia da Nova Zelândia, são autônomas desde 1965.
Pouco depois de alcançar esse status, que não chega a ser de independência plena, navios de pesquisa internacionais começaram a explorar as águas territoriais do país, que cobrem uma área comparável à área terrestre do México.
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