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Como resorts de esqui estão estocando neve para compensar falta no inverno

14/05/2024

Na estação de esqui de Ruka, na Finlândia, a neve normalmente começa a derreter em abril. No início de maio, seus 22 teleféricos param de funcionar temporariamente. E, como todos os anos, suas 41 pistas de esqui ficam verdes, transformando as encostas em um destino para apaixonados por trilhas e ciclistas de montanha, não para esquiadores.
Mas cinco das pistas são marcadas por dois montes de neve cobertos por mantas brancas de poliestireno. Cada monte contém cerca de 30 mil metros cúbicos de neve. Eles vão ficar lá durante todo o verão.
Quando estes montes forem descobertos em outubro, de acordo com estimativas baseadas em anos anteriores, haverá ainda cerca de 80% a 90% da neve, o suficiente para ser espalhado por três ou quatro encostas, além do parque de neve.
Para uma estação de esqui de baixa altitude como Ruka, que não chega a atingir 500 metros, isso não é apenas conveniente. É um divisor de águas — especialmente no início da temporada de esqui, quando tanto a neve quanto as temperaturas podem variar bastante.
"Há cerca de 10 anos, podíamos garantir boas condições de neve desde o início de dezembro até abril. Agora, com o armazenamento de neve, podemos garantir boas condições de esqui desde o início de outubro até a segunda semana de maio", afirma Antti Karava, CEO da Ruka and Pyha Ski Resorts.
À medida que o inverno está mais quente, e a neve se torna menos previsível, dezenas de estações de esqui no mundo todo estão recorrendo a variações de uma técnica chamada alternativamente de "cultivo de neve" ou "armazenamento de neve".
A neve produzida durante o inverno é reunida, coberta com isolamento térmico e permanece ali durante todo o verão. No outono, antes do início da temporada ou de um evento, como uma competição de esqui, a neve é descoberta e levada para onde precisa estar.
De certa forma, esta prática é mais eficiente do que a produção tradicional de neve. E pode ser extremamente benéfica para estações de esqui, como a de Ruka, e para as economias locais, segundo profissionais do setor.
As pessoas provavelmente não vão marcar férias para esquiar, a menos que haja cobertura de neve, e as principais corridas de esqui que atraem milhares de turistas podem ter que ser canceladas.
Mas, de acordo com especialistas, o fato de as estações de esqui terem de recorrer a tecnologias como o armazenamento de neve também revela uma falha real no que se refere à pegada de carbono do esqui — a dependência do setor de uma "temporada" tradicional que começa já em outubro, apesar da cobertura de neve no outono ser cada vez mais rara.
O fato de a neve poder ser armazenada o ano todo pode parecer surpreendente, mas a prática remonta a séculos. Antes da refrigeração, as pessoas armazenavam gelo e neve no subsolo durante o verão para permitir que conservassem os alimentos, por exemplo.
Nas últimas décadas, à medida que a indústria do esqui testava maneiras de conservar a neve para permitir a realização de eventos no outono ou início do inverno, os resorts empilhavam a neve, e depois cobriam as pilhas com um material orgânico como serragem, lascas de madeira ou palha.
Estes métodos podem ser surpreendentemente eficazes: uma pesquisa mostrou que eles poderiam preservar entre 72% e 85% da massa de neve durante o verão.
"É como uma casa. Você pode ter uma casa aquecida mesmo nas condições do Ártico, se isolá-la bem. O mesmo acontece, no sentido inverso, com um monte de neve — você pode tornar a neve resistente ao calor ao seu redor se isolá-la bem", explica Fabian Wolfsperger, chefe do Laboratório de Esportes de Neve do Instituto de Pesquisa da Neve e Avalanches da Suíça, um dos autores do artigo.
Hoje, no entanto, a tecnologia é muito mais avançada. O sistema da empresa finlandesa Snow Secure, por exemplo, inclui mantas brancas de poliestireno, com 50mm ou 70 mm de espessura, projetadas para se ajustarem com precisão a montes de neve com formato geométrico.
De acordo com testes da própria empresa, o sistema funciona mesmo nas temperaturas mais altas. Ao longo de uma semana de junho de 2023 em Vihti, na Finlândia, a temperatura no topo da manta que cobre a neve armazenada chegou a 44°C, segundo as medições realizadas. Enquanto isso, a temperatura atmosférica máxima foi de 31°C.

Termine de ler esta reportagem acessando o g1

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