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Enchentes históricas, secas severas, biomas em risco: como as mudanças climáticas extremas ameaçam o Brasil

14/05/2024

Meses depois de uma seca histórica atingir o Rio Negro e mudar paisagens e hábitos no Amazonas, uma chuva de dias seguidos colocou outro estado, o Rio Grande do Sul, praticamente inteiro debaixo d´água. Em outro ponto do país, o Cerrado perdeu metade da mata nativa para o desmatamento.
Eventos climáticos extremos já são realidade de norte a sul no país. A seguir, você entende como as mudanças climáticas - e suas consequências - estão afetando a vida dos brasileiros. A íntegra do programa exibido na noite desta sexta-feira (10) está disponível no vídeo acima.
Há cerca de um mês, o Globo Repórter esteve no Rio Grande do Sul e encontrou pessoas que ainda estavam se recuperando das chuvas do ano passado, quando viram, pela primeira vez, o Rio Taquari transbordar.
Agora, a equipe voltou à estrada e encontrou, na cidade de Muçum, moradores que, mais uma vez, perderam tudo e tentam se recuperar da terceira enchente em menos de um ano.
"Tudo pela terceira vez [...] agora a gente está lutando para sobreviver, porque agora só tem a minha família mesmo, graças a Deus que tem minha família [...] eu cheguei no meu limite, eu não estou mais aguentando é muita coisa é muita coisa em pouco tempo...", relata Noeli Lima.
Em Roca Sales, cidade vizinha e também muito atingida pelas águas do Rio Taquari, a equipe conversou com a Clara Sfoggia, uma psiquiatria, que desde as primeiras horas atendeu pessoas afetadas pelas águas. Ela destaca o efeito das mudanças climáticas para a saúde mental das pessoas:
"A gente tem usado mais frequentemente esse termo - ecoansiedade. Ele identifica um sofrimento mental em resposta às mudanças climáticas que a gente vem sofrendo", diz a psiquiatra.
Na Amazônia, as imagens da mortandade de mais de 200 botos no Lago Tefé chocaram o Brasil e assustaram o mundo em 2023, um ano de calor extremo na década mais quente da história. A bióloga Miriam Marmontel, que há 30 anos estuda os mamíferos da região, relembra esse momento.
"Pavor... Era uma coisa totalmente inédita", relata.
Miriam explica o teria afetado esses animais:
"Nós suspeitamos que eles foram afetados pelo calor. Uma espécie de hipertermia que desorientou esses animais. Inclusive, nós tivemos episódios e foram assim, cenas muito dramáticas. Quem vivenciou, nunca vai esquecer", diz emocionada.
Ayan Fleischmann é um dos maiores especialistas do país no estudo das águas. Ele destaca como o episódio na Amazônia alerta que vivemos um período muito preocupante com o aquecimento generalizado.
"A temperatura naquele período estava 40°. É um valor que ninguém nunca mediu em águas amazônicas. É algo realmente sem precedentes. O que alerta para esse aquecimento generalizado que a gente está vivenciando [...] vivemos um período muito preocupante", destaca o engenheiro ambiental.
O Globo Repórter também mostrou o impacto das secas extremas e prolongadas para as comunidades ribeirinhas, que nunca viram algo parecido na região.
"Quando eu era menina, os antigos diziam assim: esse mês é seca. Aí secava. Esse mês vai encher e enchia. Agora, não. É assim - cada ano que passa, está ficando mais difícil", afirma a parteira Maria do Socorro.
As veredas são o oásis do Cerrado, mas o Globo Repórter encontrou um cenário xx: a Estação Ecológica de Águas Emendadas, no extremo nordeste do Distrito Federal, está sob pressão e sofre com o uso intensivo da água.
"A gente só quer que o desenvolvimento aconteça de forma respeitosa e dentro da legalidade. porque não adianta desenvolver e a qualidade de vida cada vez cair mais. o nosso maior inimigo no momento é a grilagem de terra.. é a ocupação irregular do solo".
O Cerrado tem uma grande importância para regar o país e alimentar muita gente, mas o bioma já perdeu metade da mata nativa para o desmatamento. Um dos grandes desafios da agricultura e da pecuária é conciliar as atividades de produção com a preservação e a restauração da natureza.
"Nós temos população para alimentar, nós temos meio ambiente para proteger e nós temos a pesquisa para ajudar nessa complementariedade dos dois fatores meio ambiente e produção", destaca a professora do Embrapa.

Fonte: g1

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