
14/05/2024
Por conta das altas temperaturas e do tempo seco, predominante na região Sudeste do país, a Defesa Civil de Niterói elevou para o nível máximo o alerta para o risco de queimadas na vegetação da cidade, antecipando o que geralmente ocorre a partir de julho, já no período do inverno, ocasião em que as condições climáticas estão mais propensas a este tipo de situação. De acordo com um levantamento realizado pelo Corpo de Bombeiros, de março deste ano até a primeira quinzena deste mês, Niterói registrou 94 focos de incêndio, contra 22 no mesmo período de 2023 — um aumento de 327% nesse tipo de chamado. No final de abril, agentes do Corpo de Bombeiros levaram aproximadamente 24 horas para conter um incêndio florestal provocado pela queda de um balão em uma área de preservação ambiental em Jurujuba.
O bloqueio atmosférico, fenômeno que funciona como uma espécie de tampão, impedindo a chegada de frentes frias vindas do hemisfério Sul, é um dos principais elementos que explicam essa situação. E também a tragédia no Rio Grande do Sul, onde fortes chuvas vêm destruindo cidades inteiras.
Segundo dados da Defesa Civil municipal, o mês de abril de 2024 teve 26 dias sem chuva, enquanto a média é de 17, considerando informações colhidas entre 2019 e 2023. A temperatura máxima registrada em abril de 2024 foi de 38,8°C, sendo 3,2°C acima da média das temperaturas máximas no mês de abril dos anos anteriores nesta mesma época, afirmou o órgão. Niterói teve outros recordes: em 28 de abril, bateu 38,4°C, ficando com o título de cidade mais quente do país naquele dia. Quatro dias depois, registrou máxima de 38,8°C, a maior do estado do Rio de Janeiro. De acordo com a prefeitura, a cidade vai permanecer com a umidade relativa do ar estacionada em aproximadamente 30% até, pelo menos, a próxima quarta-feira (15).
— A causa principal para estas queimadas é a ação humana, seja por balões ou outra forma de ignição direta. Existe combustão natural, mas este evento nunca foi registrado na cidade, e esses são casos raros de fato. Neste momento, nossas ações se concentram em conscientizar a população em relação a este tipo de costume, principalmente em regiões consideradas sensíveis na cidade, como o bairro de Jurujuba, onde o adensamento contribui para estas ocorrências. Estamos também colocando sensores em áreas de matas que possuem a capacidade de detectar sinais de fumaça e enviar alertas — afirma o secretário de Defesa Civil Eric Oliveira.
Ainda de acordo com Eric, Morro do Morcego, em Jurujuba; Ponta D´Areia e o Morro da Boa Vista, no Centro, já contam com estes equipamentos. Ele afirma que os locais foram escolhidos por serem as regiões que mais registram ocorrência de queimada em vegetação na cidade. O secretário também alerta para os riscos desta combinação de elementos climáticos em curso. Por esse motivo, ampliou para três mil o número de voluntários dos Núcleos de Defesa Civil (Nudec), além de manter 20 agentes do Centro de Monitoramento e Operações e da Minimização de Desastres.
Apesar desta situação climática atípica, a Secretaria municipal de Saúde de Niterói afirmou que até o momento não houve aumento na demanda das unidades de saúde de emergência relacionado ao tempo seco e às altas temperaturas, e que o aumento da demanda de atendimento por doenças respiratórias está dentro do esperado em função da sazonalidade.
A secretaria ressalta a importância de a população evitar exercícios físicos ao ar livre entre 10h e 17h, usar protetor solar constantemente, umidificar ambientes fechados através de vaporizadores, toalhas molhadas ou recipientes com água e, sempre que possível, permanecer em locais protegidos do sol e consumir bastante água.
Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Geociências da UFF, publicado no fim do ano passado, aponta que chuvas extremas, aumento do volume das águas do mar e do sistema lagunar e ressacas cada mais fortes estão entre os problemas que Niterói já está enfrentando como consequência do aquecimento global. No artigo, publicado este ano em uma revista suíça, os cientistas apontam que até 2050 a cidade pode ter mais de 24 mil pessoas e oito mil imóveis diretamente impactados por eventos climáticos extremos.
No cenário apontado pelo estudo, Piratininga, bairro da Região Oceânica, seria o mais atingido, com impacto na vida de cerca de nove mil moradores. Icaraí ficaria em segundo lugar, com cinco mil pessoas prejudicadas. Até 2050, mostra a pesquisa, o nível do mar em Niterói pode subir meio metro.
Fonte: O Globo
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