
16/05/2024
Continente com o maior ritmo de aquecimento no planeta, a Europa enfrenta um número crescente de eventos climáticos extremos. Diante do cenário com cada vez mais ondas de calor, secas e enchentes, as autoridades europeias aceleraram os esforços para adaptar o território à nova realidade climática.
Desde a construção de diques e represas, passando pela instalação de dispositivos antienchentes e o reaproveitamento de técnicas tradicionais de construção, o velho continente vem tentando diferentes iniciativas para minar os danos dos desastres naturais.
Apenas em 2022, segundo a AEA (Agência Europeia do Ambiente), mais de 19 mil ações de adaptação climática foram reportadas por autoridades municipais europeias. Ainda de acordo com a entidade, todos os Estados-membros da União Europeia já adotaram alguma forma de estratégia nacional para adaptação às mudanças climáticas.
Um dos efeitos mais sentidos do aumento de temperaturas na Europa, assim como em outras partes do mundo, é a alteração nos padrões de chuvas. Não por acaso, as inundações são os desastres naturais mais comuns —e também os que mais provocam danos— na região. Por isso, as medidas de combate a esses fenômenos estão no topo das prioridades de adaptação em várias regiões.
Em muitos países europeus, a gestão das águas pluviais acontece na esfera municipal, o que faz com que várias cidades, mesmo as de pequenas dimensões, desenvolvam estratégias próprias.
Bratislava, na Eslováquia, tem desde 2016 um sistema de financiamento para que residências e empresas implementem medidas que aumentem a resiliência da cidade às chuvas intensas. O programa oferece um subsídio de 50% —até o máximo de € 1.000 (cerca de R$ 5.500) por candidatura— e já beneficiou mais de mil projetos, incluindo reservatórios de captação de águas pluviais, jardins em telhados e ações de drenagem urbana.
Várias cidades europeias têm investido também na reabertura de canais, reflorestamento das margens dos rios e até na devolução dos traçados mais próximos do natural ao curso das águas.
Um dos exemplos mais emblemático é o de Oslo, na Noruega, com o Hovinbekken. Depois de permanecer por muito tempo no subterrâneo da cidade, o rio voltou a céu aberto, contando ainda com áreas verdes otimizadas em vários trechos.
A tecnologia também tem sido uma aliada, principalmente com a disseminação e a queda nos custos de ferramentas de sensoriamento e de inteligência artificial, que têm permitido a criação de modelos de previsão de desastres naturais mais precisos.
Além de construir diques que controlam o fluxo de águas no entorno da cidade, Roterdã, na Holanda, implementou um avançado sistema de controle de inundações que integra sensores de detecção de chuva e ferramentas de previsão meteorológica. Essas ferramentas são integradas à gestão das barreiras, fazendo um uso mais eficiente e preciso dos recursos.
Santander, na Espanha, tem uma rede de mais de 20 mil sensores conectados na cidade, formando uma espécie de "cérebro artificial" que permite às autoridades antever inundações em determinadas áreas, bem como ativar precocemente planos de ação específicos.
Em julho de 2021, regiões na Alemanha e na Bélgica sofreram com enchentes de grandes proporções que, além de deixarem um rastro de destruição estimado em mais de € 44 bilhões (R$ 242 bilhões), causaram a morte de mais de 200 pessoas.
Desde então, as duas nações intensificaram os esforços para antecipar e, principalmente, comunicar os riscos à população. Na época do desastre, muitos moradores se queixaram de falhas no sistema de sirenes e de poucos alertas oficiais das autoridades.
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