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Medicamento para vacas pode reduzir emissões de metano da carne e dos laticínios

21/05/2024

O metano produzido por vacas, ovelhas, cabras e outros animais de criação faz mais danos a curto prazo ao clima do que os automóveis do mundo, segundo algumas estimativas. Uma startup com sede em Boston diz que sua nova vacina poderia reduzir significativamente essas emissões.
A empresa de biotecnologia agrícola ArkeaBio diz que seu medicamento visa microorganismos produtores de metano que vivem na saliva e no trato digestivo dos animais. Até o momento, ainda está em estágios iniciais e levará pelo menos dois anos e meio antes de poder estar no mercado.
Mas, se bem-sucedido, o medicamento seria um passo em direção ao enfrentamento de um dos desafios climáticos mais intratáveis do mundo: reduzir as emissões de metano da agricultura.
A indústria é a maior fonte de metano gerado pelo homem, à frente dos combustíveis fósseis e dos resíduos de lixo, de acordo com a Agência Internacional de Energia.
"As ferramentas para realmente enfrentar isso de forma eficaz não existiam até que o custo da sequenciação e o custo da biotecnologia diminuíssem substancialmente nos últimos cinco a dez anos", disse Colin South, diretor-executivo da ArkeaBio.
A empresa está vendo "resultados melhores do que o esperado" nos testes em andamento com gado, afirmou.
Para reduzir as emissões de metano dos animais, pesquisadores e startups têm experimentado com diferentes aditivos alimentares, incluindo algas marinhas e biocarvão. Outros desenvolveram máscaras para o gado que capturam o potente gás de efeito estufa.
Uma investigação da Bloomberg no ano passado descobriu que, embora muitos dos maiores compradores de laticínios e carne do mundo tenham declarado interesse em incentivar seus fornecedores a usar aditivos alimentares que reduzem o metano, poucos seguiram adiante em qualquer magnitude.
Uma vacina poderia ser distribuída por meio dos canais de fornecimento agrícola existentes, disse South, observando que o gado bovino e leiteiro já recebem uma ampla variedade de medicamentos para prevenir doenças respiratórias, diarreia bovina e outras doenças.
"A oportunidade de criar algo que se encaixa nas práticas usuais da fazenda, sendo uma vacina e que não tem probabilidade de impactar na qualidade do leite ou da carne, significa que realmente temos um público enorme a ser atingido", disse ele.
A ArkeaBio concluiu recentemente um financiamento de risco Série A de US$ 26,5 milhões liderado pela Breakthrough Energy Ventures, com novos investimentos do Center for Climate Action Joint Venture Ltd., uma parceria público-privada de propriedade do governo da Nova Zelândia e de grandes empresas do agronegócio.

Fonte: Folha de S. Paulo

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