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Pesquisadores desenvolvem “plástico vivo” que se auto digere

21/05/2024

Quando imaginamos a quantidade absurda de plástico que está no planeta, imaginar que essa ameaça se desfazendo é uma ideia reconfortante. Infelizmente isso ainda está longe de ser realidade e precisamos reduzir ao máximo a produção e consumo de plástico. Mas, um novo tipo deste material pode sim se “auto digerir” – essa é descoberta de um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos.
Os cientistas desenvolveram um plástico biodegradável que pode começar a se digerir quando entra em contato com o solo ou compostos orgânicos. Isso porque fazem parte da composição do material bactérias adormecidas que sobrevivem ao calor da fabricação de plástico.
O plástico biodegradável é uma mistura de poliuretano termoplástico (TPU), usado na fabricação de espuma, produtos macios como almofadas, tapetes e até mesmo sapatos. O TPU criado pelos pesquisadores inclui esporos de Bacillus subtilis. A bactéria permanece dormente no plástico até chegar ao solo ou composto orgânico, quando interage com os nutrientes e começa a decompor o plástico.
“É uma propriedade inerente a essas bactérias. Então pegamos algumas cepas e avaliamos sua capacidade de usar TPUs como única fonte de carbono e, em seguida, escolhemos aquela que cresceu melhor”, conta Jon Pokorski, coautor do estudo e professor de nanoengenharia na Escola de Engenharia Jacobs da UC San Diego.
A equipe de pesquisa combinou as bactérias e o TPU em uma extrusora de plástico, onde os materiais foram derretidos e misturados para criar os pedaços de plástico biodegradável.
Em seguida, os pesquisadores testaram o plástico colocando tiras dele no composto. A equipe montou duas áreas de compostagem com a mesma temperatura, 37 graus Celsius, e níveis de umidade semelhantes de 44% a 55%. Uma área era estéril enquanto a outra era tinha atividade microbiana.
Os resultados mostraram que o plástico atingiu mais de 90% de biodegradação em um período de 5 meses em ambos os tipos de composto. Os pesquisadores publicaram suas descobertas na revista Nature Communications.
“O que é notável é que o nosso material se decompõe mesmo sem a presença de micróbios adicionais. É provável que a maioria destes plásticos não acabe em instalações de compostagem ricas em microrganismos. Portanto, esta capacidade de auto degradação em um ambiente livre de micróbios torna nossa tecnologia ainda mais versátil”, explica Pokorski.

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