
21/05/2024
Com a tragédia que assola o estado do Rio Grande do Sul, alguns peixes do Guaíba têm aparecido pelas ruas de Porto Alegre, inclusive, piranhas. Uma palometa (Serrasalmus maculatus) foi vista no bairro Auxiliadora, na semana passada. Os animais, no entanto, já são conhecidos na região devido à transposição e conexão dos rios Uruguai e Jacuí, que acabam se conectando com a do Guaíba.
O Corpo de Bombeiros confirmou ao Globo que há relatos entre populares da presença dos animais pelas ruas da capital gaúcha. O analista de tecnologia da informação Victor Warth contou ao jornal Zero Hora que encontrou um dos peixes a cerca de cinco quilômetros de distância do Rio Jacuí, perto da entrada de um bueiro.
— Não sei se foi por ali que acabou chegando. Estava simplesmente boiando, já sem vida. Chovia bastante no momento — descreve.
Nos comentários de um post no X — antigo Twitter —, as pessoas lamentam a invasão dos animais que foram arrastados até a cidade pela força das águas na enchente.
"Infelizmente é uma triste constatação, pois com toda essa corrente estará indo para lagoa dos patos. Por onde passa esse peixe acaba com tudo, reprodução muito rápida, certamente teremos consequências com outros peixes e crustáceos", comentou um.
De acordo com os pescadores da região, há pelo menos três anos, a presença desses animais nos rios da região gerava prejuízos para o ecossistema local. Isso ocorre, pois a piranha não é uma espécie natural da área, e acaba causando desequilíbrio ecológico por atacar outros peixes que não seriam alvos de predação.
Uma possível solução seria o abastecimento de peixes-dourado no Jacuí, porque eles são predadores da piranha, porém, a introdução dessa espécie poderia ser um perigo para outros peixes, visto que o dourado também pode se alimentar deles. De acordo com especialistas da UFRGS, apesar de provocar acidentes, a palometa não representa perigo de ataque aos seres humanos.
Em condições normais, as Serrasalmus maculatus costumam ser observadas em atividade principalmente durante o dia, apesar de alguns indivíduos prologarem sua alimentação até a noite. Elas buscam águas rasas, mas permanecem perto do fundo. Suas larvas e filhotes se escondem e se alimentam dentro de emaranhados de raízes nos aguapés, que realizam também a dispersão da espécie.
Vale lembrar que a equipe de surfistas que atuou com jet ski no resgate das vítimas das enchentes, no Rio Grande do Sul, relatou ter encontrado também diversos jacarés na cidade de Eldorado do Sul.
A região foi o primeiro destino do grupo composto por Pedro Scooby, Lucas Chumbo e outros surfistas especializados em ondas gigantes.
Em uma publicação no stories, Gretha compartilhou imagens captadas por Quinho na tarde desta terça-feira, em uma de suas expedições para auxiliar no resgate de pessoas ilhadas no município. "Cheio de jacaré em Eldorado, como se não bastasse", escreveu ela, mostrando a imagem de um jacaré, enviada pelo marido.
Apesar da aparência "robusta", os jacarés encontrados nadando nas águas das enchentes não representam risco significativo para humanos, explicaram professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Fonte: O Globo
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