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Projeto transforma telhados de Amsterdã em esponjas verdes

23/05/2024

O conceito de cidade-esponja faz cada vez mais sentido para ajudar a combater e mitigar as mudanças climáticas: mais verde nas áreas urbanas significa maior absorção de água de chuva, menos enchentes e, ao mesmo tempo, maior absorção de CO2 da atmosfera, temperaturas mais amenas, ar mais limpo e uma qualidade de vida para a população. E Amsterdã está colando esta ideia em prática, transformando os telhados da cidade em esponjas verdes.
Os holandeses são famosos por sua capacidade de colocar em prática teorias para cidades mais sustentáveis, desde a adoção das bicicletas como meio de transporte até a incorporação de rios e canais à paisagem urbana. Agora, esta habilidade vai cobrir tetos da capital – aproximadamente 45 mil metros quadrados de telhados.
Um sistema que vai cobrir os telhados com terra e plantas, também vai coletar a água das chuvas, evitando enchentes ao mesmo tempo que vai direcionar a água para o uso em descargas, torneiras e irrigação.
Quando a previsão for de chuvas fortes, um sistema de válvula inteligente vai esvaziar a água da chuva armazenada nos bueiros e esgotos municipais com antecedência, permitindo que o telhado absorva a água e reduza as inundações na cidade.
Em Amsterdã, 11 mil metros quadrados de telhados planos já estão equipados com estes sistemas que trazem benefícios tanto para casos de seca quando de chuvas, já que armazenar a água tem um papel importante nas duas realidades.
O projeto recebeu o nome de Resilio e tem origem justamente na palavra resiliência. Com a previsão inicial de 4 anos, a iniciativa é fruto da parceria de diferentes empresas e organizações. Os custos para a implementação são significativos, mas evitam prejuízos muito maiores, nos âmbitos social, econômico e ambiental. É um investimento necessário para garantir abastecimento de água e uma cidade livre de inundações.
As empresas Waternet, MetroPolder Company, Rooftop Revolution, HvA, VU, Stadgenoot, de Alliantie e De Key são algumas das responsáveis por cobrir muitos edifícios com samambaias, musgos, pequenos arbustos e sedum, um gênero que é particularmente adequado para telhados verdes.
No total, a capacidade de absorção dos tetos esponjas de Amsterdã supera 454 mil litros de água.
“Achamos que o conceito é aplicável a muitas áreas urbanas ao redor do mundo”, disse Kasper Spaan, da Waternet, organização pública de gestão de água de Amsterdã. “No sul da Europa, especialmente na Itália e na Espanha, existem zonas realmente afetadas pela seca e um grande interesse pela captação de águas pluviais”.
Na verdade, o conceito de cidade esponja também pode ser benéfico para regiões afetadas pela seca e ondas de calor, já que a água absorvida pelos telhados durante as chuvas pode ser utilizada nas atividades da cidade e reduzir a pressão sobre aquíferos subterrâneos ou rios.
Outra possibilidade para os telhados verdes é combinar a vegetação com painéis solares. A evaporação da água manteria os painéis mais frios, o que potencializa a geração de energia, segundo alguns estudos.
“No final das contas, nossa filosofia não é que em todos os telhados tudo seja possível. Mas que em todos os telhados algo é possível”, explica Spaan.

Fonte: CicloVivo

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