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Desmatamento na Mata Atlântica cai 27% no país em 2023, mas aumenta na transição para Cerrado e Caatinga

23/05/2024

O desmatamento da Mata Atlântica teve uma redução de 27% em 2023 no Brasil, se comparado com 2022 na parte contínua do bioma. Porém, o desflorestamento aumentou em fragmentos isolados e áreas de transição nos limites com o Cerrado e a Caatinga.
O cenário é apontado pelos dados consolidados da 18ª edição do Atlas da Mata Atlântica, coordenado pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, feitos através de uma parceria entre a SOS Mata Atlântica e o MapBiomas.
Segundo os dados de janeiro a dezembro, o desmatamento nessas áreas caiu de 20.075 hectares, em 2022, para 14.697 hectares no ano passado.
A queda de 27% no desflorestamento interrompe um período de dois anos de perdas acima de 20 mil hectares. Porém, segundo o Atlas, os 14.697 hectares suprimidos de florestas ainda estão acima dos valores obtidos em 2018, 2019 e 2020.
"Este é um valor alto, considerando-se que se trata dos 12,4% de matas maduras da Mata Atlântica, onde estão os maiores remanescentes, mais bem conservados, com maior estoque de carbono e maior biodiversidade", aponta o estudo.
E complementa: "Estes são reconhecidos como Patrimônio Nacional, pela Constituição Federal, e protegidos por uma lei especial - a Lei da Mata Atlântica. Esta situação está na contramão de estudos internacionais que apontam a Mata Atlântica como um dos biomas prioritários no mundo para ser restaurado".
Os dados do Atlas mostram ainda que houve aumento do desflorestamento em quatro dos 17 estados em que o bioma está presente: Piauí, Mato Grosso do Sul, Ceará e Pernambuco. No Rio Grande do Norte, houve uma variação que indica uma pequena alta, mas diferente dos demais estados com esta tendência.
Já a redução foi vista em 12 estados: Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
Os estados de Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, que costumam estar entre os que lideram o ranking de derrubadas, desta vez se destacaram positivamente, com queda de, respectivamente, 57%, 78% e 86% nas taxas.

O Atlas também apontou que quatro estados acumularam 90% do desflorestamento:
* Piauí: 6.192 hectares;
* Minas Gerais: 3.193 hectares;
* Bahia: 2.456 hectares;
* Mato Grosso do Sul: 1.457 hectares.

Contudo, apesar de o estudo do Atlas apresentar diminuição no desmatamento da Mata Atlântica, o bioma ainda inclui regiões em recuperação ou em estágios iniciais de desenvolvimento, o que amplia sua cobertura vegetal total para 24%. E é esta a abrangência analisada pelo SAD Mata Atlântica.
O SAD é capaz de detectar desmatamentos a partir de 0,3 hectare, e com isso apontou que o desflorestamento total saltou de 74.556 hectares para 81.356 hectares entre 2022 e 2023, o que equivalente a mais de 200 campos de futebol desmatados por dia.
Diretor-executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto afirma que a diferença entre os números do Atlas e os do SAD se dá sobretudo pelo aumento das derrubadas observadas pelo SAD em encraves no Cerrado e na Caatinga, destacadamente nos estados da Bahia, no Piauí e no Mato Grosso do Sul.
O encrave é uma faixa de um bioma isolado e rodeado por uma vegetação com características diferentes. No Piauí e em Goiás, por exemplo, toda a Mata Atlântica está em encraves localizados na transição entre os biomas, e há áreas na mesma situação na Bahia, em Minas Gerais, Ceará e Mato Grosso do Sul.
“É importante entender que, no passado distante, o Brasil era coberto por uma imensa floresta tropical. Ela foi se dividindo a partir das glaciações e mudanças no clima, mas, nesse processo, restaram o que podemos chamar de ‘ilhas’ de vegetação típica da Mata Atlântica dentro de outros biomas, os encraves”, esclareceu Luís Fernando, em nota.
Os números do Atlas e do SAD Mata Atlântica apontam a mesma tendência: redução de desmatamento no bioma Mata Atlântica e aumento nos encraves dos outros biomas.

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