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A engenhosa solução de um paraíso turístico para salvar seu recife de corais

18/06/2024

A água em volta da ilha de Mnemba é tão clara que o recife de coral, 10 metros abaixo da superfície, parece estar quase ao alcance da mão.
O colorido recife ovalado se estende por 7 km a partir da pequena ilha. Sua beleza é conhecida em todo o mundo – e fez com que o governo de Zanzibar (região semiautônoma da Tanzânia) o designasse área de conservação marinha.
Os corais e a vida marinha que eles sustentam não oferecem apenas uma visão espetacular. Eles também fornecem meios de vida às pessoas que moram na ilha, com a pesca e o turismo.
As mudanças climáticas aumentaram a temperatura do mar. E o aquecimento estressa o coral, fazendo com que ele expulse as algas de cores brilhantes que vivem no seu interior e fornecem nutrientes.
E, à medida que as algas se vão, o coral perde suas cores e vai embranquecendo até morrer.
O recife sofreu ainda com as práticas de pesca invasiva, incluindo a submarina e o uso de dinamite. Os mergulhadores e barcos turísticos não autorizados também causam danos ao coral.
"A quantidade de peixes disponível no passado, em comparação com a atual, mostra uma diferença significativa", afirma o pescador local Juma Mshindani.
"Antes, havia muito peixe. Mas, agora, o número de pessoas e os métodos de pesca aumentaram significativamente, incluindo o uso de diversas armadilhas, como redes e linhas de pesca."
Mshindani afirma que alguns pescadores utilizam equipamentos improvisados e nocivos – como mosquiteiros, que são mais baratos. Ele já chegou a ver até redes de futebol serem usadas para pescar.
Há três anos, o recife de Mnemba sofreu danos tão graves que a comunidade percebeu que, se não trabalhasse para conservá-lo, ele iria desaparecer, obrigando os moradores da região a se mudarem para sobreviver.
Em setembro de 2021, as comunidades locais começaram a trabalhar com as organizações de turismo responsável &Beyond e African Foundation. O objetivo era reparar o recife, proteger a área de conservação marinha e apoiar a pesca sustentável.
Foram construídas estruturas de aço em forma de tartarugas e estrelas-do-mar, para refletir a vida silvestre no recife. Elas foram fixadas ao recife existente e ali foi plantado coral recém-cultivado no viveiro submarino.
Três anos depois do início do projeto, os resultados são alentadores: foram restaurados 80% da cobertura de coral.
"É como se eles tivessem crescido sozinhos", afirma o especialista em conservação Hija Uledi. "Restauramos o recife e não se observa diferença em relação ao recife natural."
"Agora, existem peixes ali. O trabalho é genial e podemos observar muitas espécies."
A diretora de programas e principal cientista da organização Oceanos Sem Fronteiras, Camilla Floros, afirma que o plano de restauração em andamento tem o cuidado de trabalhar com os materiais naturais do recife.
"O uso de materiais inadequados para os recifes artificiais pode trazer consequências negativas", explica ela. "Quando os recifes artificiais começaram, as pessoas utilizavam materiais inadequados para tentar criá-los, como pneus. Esta técnica não é correta."
"O que estamos fazendo é utilizar a rocha de coral natural", afirma ela, em referência aos locais de transplante do coral recém-cultivado.
Segundo Floros, este tipo de projeto de regeneração atinge melhores resultados quando conta com o apoio da comunidade local: "Cada vez que temos uma nova iniciativa, discutimos com eles e conseguimos sua aprovação."

Leia a reportagem na íntegra clicando no g1

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