
25/06/2024
Na natureza, diversidade é sinônimo de força. Quanto maior o número de espécies vivendo em equilíbrio em um ecossistema, mais saudável e resiliente ele será. Algumas espécies são um indicativo deste equilíbrio ambiental. É o caso da onça-pintada: animal predador de topo de cadeia, a presença do felino indica que a biodiversidade local está preservada – para que uma onça viva em um lugar, é preciso que outras espécies de fauna e flora estejam na região. E é por isso que a onça-pintada foi escolhida como condição para que os Créditos de Biodiversidade, lançados no dia 18 de junho de 2024, no AYA Hub.
Este é um projeto inédito que envolveu uma parceria entre o Instituto Homem Pantaneiro (IHP), que atua há mais de 20 anos pela preservação do Pantanal, a A ERA (Ecosystem Regenaration Associates), referência em projetos de conservação ambiental e ações voltadas para pagamento de serviços ambientais (PSA), a Regen Network, plataforma de marketplace para o mercado mundial de biodiversidade e conservação, e a Okala, empresa global que direciona cientistas em biodiversidade e ecologia para atuar na conservação de projetos em 1 milhão de hectares de áreas monitoradas na América do Sul, África e Europa.
Diferentes dos créditos de carbono, comprados para compensar a emissão de gases de efeito estufa, os créditos de biodiversidade vão garantir medidas eficazes de conservação, uma medida muito mais positiva que a compensação quando o objetivo é garantir um futuro melhor. Os créditos podem ser adquiridos por empresas e propriedades rurais com política ESG ou pessoas físicas, pela plataforma da Regen.
“O crédito de biodiversidade é um pagamento por serviços ecossistêmicos para a conservação, mas que não se baseia unicamente no risco de desmatamento, como o mecanismo REDD+ do mercado de carbono. Acreditamos que a vegetação nativa possui valor intrínseco, para além do conceito de adicionalidade, e que precisamos urgentemente impulsionar o financiamento para a conservação e proteger a vegetação nativa remanescente”, explica Hannah Simmons, fundadora e CEO da ERA, que atua há 15 anos empreendedorismo de impacto e projetos de conservação.
“Estamos diante de um projeto que representa um grande avanço quando tratamos de conservar a natureza. É uma proposta que acontece no Pantanal agora e que poderá ser replicada para outros biomas”, explica Angelo Rabelo, presidente e fundador do IHP e membro do Explorers Club 50.
A metodologia desenvolvida pela ERA torna possível mensurar o impacto do trabalho de mais de 20 anos da ONG Instituto Homem Pantaneiro (IHP) na Serra do Amolar, território de Patrimônio Natural da Humanidade, localizado no Pantanal do Mato Grosso do Sul.
A iniciativa vai combater o risco da caça ilegal, a perda e fragmentação de habitat por desmatamento ou incêndios florestais e redução do conflito entre ser humano e a onça-pintada no bioma. A etapa inicial do projeto de créditos de biodiversidade ocorre em uma área de equivalente a 50 mil campos de futebol. Ainda estão envolvidas nas ações de conservação quatro comunidades ribeirinhas, o que representa ao menos 57 famílias mapeadas.
Os créditos gerados pelo projeto significam uma iniciativa direta de impacto positivo para o planeta e uma forma real de se engajar com a conservação de um Patrimônio Natural da Humanidade e da espécie guarda-chuva, a onça-pintada.
“Estamos na vanguarda da luta contra a perda de biodiversidade, pavimentando o caminho para um modelo de conservação que é tanto sustentável quanto replicável. A nossa Metodologia de Biodiversidade se destaca por sua adaptabilidade a qualquer espécie de mamífero e aves em diferentes biomas. Nosso objetivo era desenvolver uma metodologia que recompensasse de forma simples os guardiões da terra que estão conservando a vegetação nativa”, afirma Hannah.
“O habitat e a biodiversidade são cruciais para a sobrevivência humana. O número de créditos está, portanto, fundamentado na quantidade de hectares de vegetação nativa que o guardião da terra está preservando, monitorando e aplicando ações de proteção à espécie guarda-chuva”, explica Hannah Simons.
O projeto atual está direcionado na presença da onça-pintada no território mapeado na Serra do Amolar. A espécie é chamada de guarda-chuva porque sua proteção acaba por englobar a conservação de uma enorme variedade de espécies de animais e plantas.
Nessa região do projeto, ao se proteger a onça-pintada, existe um impacto direto também em mais de 10 espécies de mamíferos ameaçados em território nacional, dentre eles o tamanduá-bandeira, a anta, o queixada e o tatu-canastra; e mais três espécies de aves, dentre elas o mutum e a tiriba-da-cara-suja, um pequeno periquito de distribuição restrita à borda oeste do Pantanal.
“A onça-pintada sofre com a ameaça da caça ilegal, perda e fragmentação de habitat com consequente redução da oferta de presas naturais. Outra grande e talvez principal ameaça nos dias atuais são os grandes incêndios florestais. Usamos inteligência artificial para prevenir o fogo, armadilhas fotográficas para o monitoramento da fauna e colares de GPS telemetria para investigar os padrões de movimentação e uso do habitat pelas onças-pintadas, aliadas às ferramentas de geoprocessamento de dados”, detalha Grasiela Porfírio é doutora em Ecologia e Conservação e atua no IHP para a conservação direta da onça-pintada.
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