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Instrutor de parapente espalha sementes da mata atlântica durante voos

25/06/2024

Luan Lima gosta de dizer que faz o trabalho dos passarinhos. Em seus voos sobre as serras de Petrópolis (RJ), o instrutor de parapente lança sementes de palmeira juçara para ajudar a reflorestar, pouco a pouco, a vegetação nativa da região.
Voar sempre foi uma paixão do mecânico aeronáutico, que já fez cursos de especialização e é credenciado para fazer voos livres sozinho ou acompanhado de turistas.
Há três anos, ele concilia os trabalhos de inspetor de aeronaves e de instrutor de parapente. Como passatempo, voa há quase uma década. Em 2020, um amigo comentou que os pais tinham uma palmeira juçara em casa e sugeriu que Luan levasse algumas sementes em seus passeios.
A juçara é uma palmeira nativa da mata atlântica ameaçada de extinção, cujos frutos servem de alimento para dezenas de aves e mamíferos.
Empolgado com a ideia, o instrutor consultou o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade) para se certificar de que não causaria nenhum impacto negativo à área de proteção ambiental sobrevoada.
Para aumentar as chances de as sementes virarem árvores, ele faz uma germinação prévia: remove toda a polpa, deixa as sementes secarem e depois as coloca em uma área úmida. Quando as raízes começam a crescer e a "sair" das sementes, significa que elas estão prontas para serem lançadas.
Nos voos solo, Luan leva 1 quilo de sementes (em média, 200 unidades) e, nos voos com passageiros, cerca de 300 gramas, carregados nos bolsos da cadeira do parapente.
"Eles ficam encantados. Acham que é uma atitude muito legal. E ficam felizes de poder participar, porque eu dou, na mão deles, algumas sementes para eles poderem lançar. Explico o que é aquela semente e para o que ela serve", diz Luan.
A dispersão de sementes é o ponto alto dos passeios de quase uma hora de duração sobre a Área de Proteção Ambiental da Região Serrana de Petrópolis, que atraem desde praticantes de esportes radicais até pessoas com medo de altura, como Yasmin, sobrinha do instrutor.
"A gente decolou de 1.000 metros e foi a quase 2.000 metros de altitude. Ela amou, indicou para várias pessoas e até hoje fala disso. A foto de perfil dela nas redes sociais ainda é uma imagem nossa voando."
Luan conta que o trabalho de instrutor ocupa grande parte de seu tempo, mesmo quando está em terra.
"Fico o tempo todo olhando para o céu, observando o comportamento das nuvens, e também acompanho por um aplicativo as informações da estação meteorológica, para saber, por exemplo, se vai chover e como está a posição do vento", afirma.
Aliar a atividade de instrutor à preservação ambiental é uma maneira de Luan sentir que está ajudando a minimizar os danos causados pela atividade humana à natureza.
"Infelizmente, hoje vemos o desmatamento aumentando. Aqui na minha cidade, lugares onde eu não imaginava que haveria construções estão sendo desmatados. Então, para mim, é fundamental fazer algo. Prefiro fazer um pouquinho do que não fazer nada", diz.
A causa "Mata Atlântica: Regenerar e Preservar" tem o apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.

Fonte: Folha de S. Paulo

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