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Incêndios extremos duplicaram nos últimos 20 anos, mostra estudo

27/06/2024

O ano mais quente já registrado, 2023, também foi o mais extremo em relação a incêndios florestais, de acordo com uma nova pesquisa.
Tanto a frequência quanto a intensidade de incêndios florestais extremos mais do que dobraram nas últimas duas décadas, descobriu o estudo. E, quando as consequências ecológicas, sociais e econômicas dos incêndios florestais foram consideradas, 6 dos últimos 7 anos foram os mais "energeticamente intensos".
"O fato de termos detectado um aumento tão grande em um período tão curto de tempo torna os resultados ainda mais chocantes", disse Calum Cunningham, pesquisador de pós-doutorado em pirogeografia na Universidade da Tasmânia e autor principal do estudo, publicado nesta segunda-feira (24) na revista Nature Ecology & Evolution.
"Estamos vendo as manifestações de um clima mais quente e seco diante de nossos olhos nesses incêndios extremos."
Na semana passada, incêndios no Novo México mataram duas pessoas e queimaram mais de 9.700 hectares; no sul da Califórnia, mais de 5.600 hectares queimaram perto de Los Angeles; e, na Turquia, pelo menos 12 pessoas morreram e muitas outras ficaram feridas por incêndios que começaram na quinta-feira (20) a partir da queima de resíduos de colheita, de acordo com autoridades de saúde e ministros turcos.
Embora os incêndios florestais possam ser mortais e custar aos Estados Unidos até US$ 893 bilhões anualmente, o que inclui os custos de reconstrução e os efeitos econômicos da poluição e lesões, a maioria dos incêndios é "relativamente benigna e, na maioria dos casos, ecologicamente benéfica", disse Cunningham.
O novo estudo analisou a potência total emitida por aglomerados de eventos de incêndio, definidos como incêndios que queimam ao mesmo tempo em proximidade, ou no mesmo local, em múltiplos momentos em um único dia. Os pesquisadores analisaram 21 anos de dados coletados por dois satélites da Nasa entre janeiro de 2003 e novembro de 2023 para quantificar como a atividade de incêndio mudou ao longo do tempo.
Eles identificaram 2.913 eventos extremos em mais de 30 milhões de incêndios em todo o mundo. Tais eventos extremos de incêndio também foram definidos pela grande quantidade de fumaça emitida, seus altos níveis de emissões de gases de efeito estufa, que podem acelerar ainda mais o aquecimento global, e os efeitos ecológicos, sociais e econômicos do incêndio.
"Isso tem sido o Santo Graal para mim", disse David Bowman, autor sênior do estudo e professor de pirogeografia e ciência do fogo na Universidade da Tasmânia.
Embora tenha observado incêndios se tornando mais fortes, especialmente na Austrália após os incêndios florestais de 2019 que mataram 173 pessoas e quase 3 bilhões de vertebrados, ele disse que precisava dos dados do estudo para mostrar uma tendência e comunicar que algo enorme está acontecendo.
"Quando você tem esses sinais tão assustadores, também é muito motivador", disse Bowman. "Há um imperativo de fazer algo a respeito disso."
O aumento global na frequência e intensidade dos incêndios foi quase exclusivamente causado por mudanças em duas regiões. Nas florestas de coníferas temperadas do oeste dos Estados Unidos e Canadá, os eventos extremos de incêndio aumentaram mais de onze vezes, de seis vezes em 2003 para 67 em 2023. As florestas boreais da América do Norte e as latitudes setentrionais da Rússia viram um aumento de 7,3 vezes em incêndios energeticamente extremos.
Os cientistas planejam examinar por que os incêndios nesses biomas foram tão extremos, mas Cunningham disse que suas descobertas são consistentes com os efeitos das mudanças climáticas, que tornam as condições mais quentes e secas nessas florestas e mais propícias a eventos extremos.

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