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Por que o cultivo de abacate virou ameaça ao meio ambiente

02/07/2024

A crescente demanda por abacates na Europa e na América do Norte fez com que a produção global triplicasse em pouco mais de 20 anos.
🥑Mas esta fruta tão popular é cada vez mais controversa, devido aos impactos ambientais da sua produção e distribuição em todo o mundo.
Estas questões não são inerentes aos abacates propriamente ditos, que podem fazer parte de uma dieta saudável e sustentável. Mas elas refletem uma parte dos profundos problemas associados à sua produção.
Os abacates são nativos da América Central e do Sul, onde o clima quente e temperado fornece condições de cultivo ideais.
Existem centenas de variedades, mas a mais conhecida entre nós hoje em dia é a variedade Hass, que pode ser rastreada até uma única árvore, plantada quase 100 anos atrás.
Parte do aumento da popularidade do abacate nas últimas décadas veio da sua promoção como "superalimento".
Alguns dos argumentos sobre seus benefícios à saúde podem ter sido superestimados, mas ele realmente é uma boa fonte de vitaminas, sais minerais e gorduras insaturadas, que fornecem sua textura cremosa agradável.
Mas por que os abacates se tornaram tão controversos?
Como em grande parte da agricultura moderna, a maior parte das plantações de abacate depende muito dos fertilizantes e combustíveis fósseis, o que aumenta as emissões de gases do efeito estufa. E o seu rendimento é menor que o de muitos outros produtos. Por isso, a pegada de carbono do abacate por kg da fruta é maior.
Em média, o abacate tem pegada de carbono de cerca de 2,5 kg de CO₂ equivalente (kg CO₂e) por kg de produto. Este número representa o total de gases do efeito estufa resultantes da produção e do transporte de abacates, como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, calculado na forma equivalente ao aquecimento causado por CO₂.
A pegada de carbono do abacate é mais de duas vezes a da banana (0,9 kg de CO₂e p/kg) e mais de cinco vezes a da maçã (0,4 kg de CO₂e p/kg). Ela é um pouco maior que a do tomate (2 kg de CO₂e p/kg).
Mas estes números são pequenos em comparação com a média global da pegada de carbono da maioria dos produtos de origem animal.
Um quilo de ovos possui pegada de carbono de 4,6 kg de CO₂e, 1 kg de frango tem 9,8 kg de CO₂e e 1 kg de carne bovina resulta em um escandaloso índice médio de 85 kg de CO₂e.
Fora do continente americano, os abacates costumam viajar por grandes distâncias. Mas o transporte pode não ser um problema tão grande quanto se costuma acreditar, pelo menos em termos de carbono.
🚢 A ampla maioria dos abacates é transportada de navio, que emite relativamente pouco carbono, devido às imensas quantidades que uma única viagem pode transportar.
Mesmo quando são transportados por milhares de quilômetros, a viagem marítima resulta em apenas 0,2 kg de CO₂e p/kg de abacate – normalmente, muito menos do que a pegada gerada pelo seu cultivo. Mas o transporte marítimo traz outros questionamentos.
A dependência excessiva do transporte por navio criou um sistema alimentar que é vulnerável a choques e interrupções.
Os congestionamentos e gargalos logísticos (como o bloqueio do canal de Suez por um navio porta-contêineres em 2021, por exemplo), surtos de fome ou guerras em uma parte do mundo podem gerar interrupções ou falta de alimentos em muitos outros países.
O problema provavelmente irá aumentar à medida que a crise climática se aprofunda. E esta questão não é exclusiva dos abacates, de forma que passar a consumir mais alimentos de fontes locais pode aumentar a resiliência e ajudar a proteger contra a escassez de alimentos no futuro.

Conclua a leitura clicando no g1

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