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Operação identifica 18 locais de origem de incêndios que queimaram 56 mil hectares no Pantanal

02/07/2024

Com um tempo extremamente seco no Pantanal, os milhares de focos de calor no bioma, que já bateram recorde no ano, têm como origem principal a ação humana. Os eventos que iniciam o fogo vão desde limpeza de pastagens em fazendas a queimas de lixo e descarte de bitucas de cigarro. Uma operação da Polícia Militar, governo do Mato Grosso do Sul e o Ministério Público identificou 18 pontos de ignição, que resultaram em incêndios entre os dias 10 de maio e 23 de junho, e queimaram 56,6 mil hectares de floresta.
Utilizando imagens de satélite e um helicóptero cedido pelo governo estadual, o Nugeo (Núcleo de Geotecnologias) do Ministério Público do Mato Grosso do Sul em conjunto com a Polícia Militar Ambiental (PMA) e o Grupamento de Operações Aéreas do governo vêm investigando os locais de origem do fogo. Entre os 18 pontos já identificados, há fazendas, mas também áreas ribeirinhas e beiras de estrada.
A partir da publicação de um decreto de emergência climática no dia 10 de abril, em função das condições severas, qualquer tipo de queimada no Pantanal, mesmo as controladas, passou a ser proibido. Por isso, as queimadas investigadas seriam ilegais, mas ainda não há maiores detalhes das ações que de fato deram início ao fogo. Um relatório está sendo elaborado pelas autoridades para essa identificação.
— Por mais que às vezes não se consiga comprovar que houve um incêndio intencional e com isso gerar uma multa ou uma responsabilidade criminal, o Ministério Público vai tomar providências em todos esses casos para a reparação desse dano e especialmente para adoção de medidas preventivas, a fim de tentar evitar que novos incêndios comecem nestas áreas — explicou o promotor de Justiça do Núcleo Ambiental, Luciano Furtado Loubet, que lidera a fiscalização.
O comandante da PMA em Corumbá, o capitão Jorge Manoel Martins Júnior, disse que sua equipe já atendeu a 11 demandas na região nas últimas semanas.
— O Ministério Público detecta os pontos por meio de satélite e nos envia para encaminharmos as guarnições aos locais. Lá fazemos todo registro fotográfico e levantamos as possíveis causas e eventuais indícios de ações criminosas — explicou.
Segundo análise do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ (Lasa/UFRJ), a seca vista hoje no Pantanal só teve ocorrência semelhante em 1951. Em coletiva nesta quinta (27), o governador Eduardo Riedel e o secretário de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, afirmaram que as condições são mais graves que em 2020, quando um terço do bioma foi consumido pelo fogo.
O secretário Verruck explicou, ainda, que o governo recuou do programa de queimas prescritas — que serve para diminuir o volume de biomassa, de forma controlada, antes da temporada de seca — iniciado nesse ano, pela dificuldade técnica de controlar o fogo. A secretaria chegou a acompanhar duas queimadas controladas, mas o fogo quase saiu de controle. Depois disso, o governo publicou a suspensão das queimadas.
Como O Globo mostrou, os focos de calor registrados no Pantanal nesse primeiro semestre do ano já superam a quantidade de 2020, na comparação do mesmo período. Até aqui, 530 mil hectares de área já foram queimados somente no território pantaneiro do Mato Grosso do Sul, antes mesmo da temporada mais seca, informou o Corpo de Bombeiros.

Fonte: O Globo

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