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Geleiras do Alasca podem chegar a nível de derretimento irreversível mais cedo do que o esperado, diz estudo

09/07/2024

As geleiras no Campo de Gelo de Juneau, no sudeste do Alasca, nos Estados Unidos, estão derretendo a uma taxa mais rápida do que se pensava anteriormente. Segundo um novo estudo, publicado na última terça-feira (2), eles podem chegar a um ponto irreversível mais cedo do que o esperado.
Pesquisadores da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, descobriram que a perda de gelo na região, localizada ao norte da cidade capital do Alasca, Juneau, acelerou rapidamente desde 2010.
O derretimento dos glaciares provocado pelas mudanças climáticas é um grande contribuinte para o aumento do nível do mar, o que ameaça cidades costeiras em todo o mundo. As taxas atuais de degelo podem resultar em um declínio permanente do Campo de Gelo de Juneau, disseram os pesquisadores.
"À medida que progride o afinamento da geleira no planalto de Juneau e o gelo recua para níveis mais baixos e de ar mais quente, os processos de retroalimentação que isso desencadeia provavelmente impedirão o crescimento futuro dos glaciares", explicou Bethan Davies, professora sênior da Universidade de Newcastle e líder do estudo, em um comunicado à imprensa.
No estudo, publicado na revista Nature Communications, os pesquisadores descobriram que o volume do campo de gelo diminuiu entre 2010 e 2020 a uma taxa duas vezes maior do que a registrada anualmente de 1979 a 2010.
O Campo de Gelo de Juneau, que se estende ao longo da fronteira do Alasca com a província canadense da Colúmbia Britânica, perdeu um pouco menos de um quarto de seu volume de gelo, de acordo com registros desde 1770, disseram os pesquisadores.
O artigo não calcula quando o campo de gelo poderia desaparecer completamente com a sua taxa atual de perda de volume.
As projeções atuais sugerem que a perda de volume do Campo de Gelo de Juneau permanecerá consistente até 2040 e acelerará novamente após 2070, mas os pesquisadores acreditam que essas projeções podem precisar ser atualizadas para refletir as descobertas de seu estudo.
Todos os glaciares no Campo de Gelo de Juneau mapeados em 2019 diminuíram em relação à sua posição em 1770, e 108 deles desapareceram completamente.
"Os campos de gelo do Alasca —que são predominantemente planos, campos de gelo de planalto— são particularmente vulneráveis ao derretimento acelerado à medida que o clima se aquece, uma vez que a perda de gelo ocorre em toda a superfície, o que significa que uma área muito maior é afetada", disse Davies.
Os cientistas há muito alertam que o aquecimento global, impulsionado pela liberação de gases de efeito estufa da indústria de combustíveis fósseis e do desmatamento está corroendo os glaciares e as calotas de gelo ao redor do mundo.
O Alasca tem alguns dos maiores campos de gelo do mundo, incluindo o Campo de Gelo de Juneau, que é o quinto maior da América do Norte. O campo de gelo tem cerca de 3.884 km², de acordo com o Serviço Florestal dos EUA, o equivalente a 2,5 vezes a área da cidade de São Paulo.
Os pesquisadores acreditam que as mesmas condições que estão contribuindo para o derretimento do planalto de Juneau podem afetar locais semelhantes no Canadá, Groenlândia, Noruega e outros lugares do Ártico.

Fonte: Folha de S. Paulo

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