
11/07/2024
Desde que Xuxa, nos anos 1980, cantou que iria "pintar um arco-íris de energia, pra deixar o mundo cheio de alegria, (....) com o verde eu tenho a esperança", tema de seu primeiro longa, "Super Xuxa contra Baixo Astral" (1988), que a atriz, cantora e apresentadora constrói uma trajetória de preocupação com o meio ambiente, os animais e as crianças. Ao longo das últimas quatro décadas, a atuação da artista em causas naturais só aumentou. E não quer saber de guardar só pra ela a preocupação.
A série "Tarã", ainda sem previsão de lançamento, desenvolvida para o streaming do Disney+, trará Xuxa como protagonista em meio a uma trama sobre a defesa do meio ambiente. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, a eterna rainha dos baixinhos conta que pôde colaborar, com a criadora da série, Anna Lee, para o desenvolvimento da história, que reúne várias vontades e preocupações da apresentadora.
— Sempre falei sobre o meio ambiente, muito por causa de minha paixão pelos animais e pela natureza, mas fazia de forma muito sutil, sem muito conhecimento. Na época em que não se falava de veganismo, eu era macrobiótica, vegetariana, naturalista — destaca Xuxa. — Virei vegana há pouco tempo. Porque eu pensava, “como eu posso falar que gosto tanto de bicho e me alimentar do sofrimento de outros animais?” É muito fácil falar que gosto de cachorro, gato e passarinho, mas e os outros? Hoje, eu penso mais aliviada cada vez que olho um prato meu e vejo que não há nenhum sofrimento. Mas não é só por isso, você tem que pensar que vive em sociedade e o mundo está pedindo socorro.
Ela acredita que não fez mais por “falta de informação”, ainda assim lembra que deixou de comer carne vermelha aos 13 anos de idade, um marco na juventude de uma pequena gaúcha.
— Eu levanto essa bandeira da causa ambiental mesmo percebendo que muitas pessoas não querem ouvir. Porque mexe com coisas que elas fizeram a vida toda — afirma Xuxa, que faz um mea culpa. — Não é fácil assumir que você é culpado. Lembro que depois de assistir ao documentário “Terráqueo” (doc narrado por Joaquin Phoenix que retrata como as maiores indústrias do mundo se utilizam da exploração animal), eu fiquei pensando, “caramba, eu fiz parte disso tudo”. Eu fui a pessoa que mais usou couro na vida. Minha roupa de camurça, minhas botas de couro, o uniforme das paquitas. Não acho que exista uma pessoa que tenha incentivado tanto o uso do couro como eu.
Em “Tarã”, Xuxa reencontra em cena a amiga Angélica, que também participa da série. A apresentadora lembra com carinho do período em que filmou a produção, há dois anos, no Acre.
— Já tinha ido ao Acre, mas não conhecia de verdade. Quando você vai se apresentar, você fica no hotel, vai pro lugar do show e depois vai embora pra casa. Com "Tarã", eu conheci o Acre, conheci os rios, aprendi a pilotar um barquinho a motor, aprendi muito sobre as árvores da região — lembra. — Foi um dos lugares que melhor dormi e melhor me alimentei. Eu, sendo vegana, é uma das coisas que eu mais procuro. Adorei, adorei, fiquei hiper feliz trabalhando no Acre. Eu ganhei uma camisa que diz “o Acre realmente existe” e eu quero dizer que não só existe, como é incrível.
Rodada há dois anos, a série marcou o primeiro trabalho de Xuxa como atriz em 13 anos. Reacendida a paixão, ela emendou projetos no cinema em produções como “Uma fada veio me visitar” (2023), “Vidente por acidente” (2024) e “Mallandro: O errado que deu certo”, em que volta a trabalhar com o amigo Sérgio Mallandro 34 anos após o clássico “Lua de cristal” (1990).
— Me aventurei pela telona em algumas participações nesses dois últimos anos, não fiquei com medo de voltar. Agora que estou com uma outra cabeça e um outro corpo, com meus 61 anos, estou com vontade de fazer coisas legais. Vai ser raro as pessoas me verem em coisas que eu não acredito.
Fonte: O Globo
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