
19/04/2012
Houve um tempo em que a guarajuba tinha uma presença significativa na Mata Atlântica. Sua madeira alimentava a construção civil e naval e era usada em engenhos, na fabricação da tubulação de água. Sua popularidade, porém, não lhe rendeu louros no mundo acadêmico, onde ninguém a estudou; nem garantiu a continuidade de seu plantio — sua última coleta foi há 70 anos. A espécie, que atende no mundo científico por Terminalia acuminata e tem as cores da bandeira nacional, foi vista pela última vez em 1942 e dada como extinta em 1998 pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Em dezembro, no entanto, três exemplares foram achados por pesquisadores do Jardim Botânico nos canteiros da própria instituição.
A redescoberta da T. acuminata veio quase por acaso, em meio aos esforços do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) para atualizar a Lista de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção. Sabe-se quase nada sobre esta árvore. Seu tempo de vida, a idade que alcança e a quantidade de vezes que já floresceu e frutificou, por exemplo, são um mistério para os botânicos. Daí o sentimento de urgência que cerca a coleta de sementes produzidas pela planta.
— Há uma semana minha equipe vem aqui diariamente para fazer este trabalho — conta Ricardo Reis, curador de Coleções Vivas do Jardim Botânico. — Descobrimos que a T. acuminata estava dando frutos por volta do fim do ano passado. Certamente ela já floresceu e frutificou outras vezes, mas, como o grau de raridade da árvore só foi diagnosticado no fim do ano passado, não estávamos acompanhando.
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