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Criador de ‘cidades-esponja’ defende natureza em áreas urbanas

16/07/2024

O Rio Grande do Sul mostrou da pior forma possível as consequências avassaladoras que as mudanças climáticas. Infelizmente, o estado brasileiro não é um caso isolado no mundo. Eventos climáticos extremos são notícias cada vez mais frequentes e a necessidade de combater as causas e consequências da emergência climática é inegável.
As ações humanas tornaram desastres “naturais” cada vez mais comuns em todo o planeta, desde ondas de calor e incêndios florestais a chuvas e enchentes cada vez mais intensas.
Para tornar as cidades mais resilientes neste cenário, o arquiteto chinês Kongjian Yu, apresentou o conceito de “cidades esponja”, desenvolvido como solução para preparar áreas urbanas e prevenir inundações usando a permeabilidade do solo e a natureza como aliada. A ideia se transformou em política nacional na China em 2013, dando prioridade a infraestruturas naturais de grande escala, como zonas húmidas, vias verdes e parques.
As cidades esponjas ganharam visibilidade e o seu criador recebeu reconhecimento internacional. Em um mundo em que a necessidade de mitigação das mudanças climáticas é cada vez mais urgente, Yu defende que o paisagismo tenha um aspecto funcional e não meramente ornamental das nossas cidades.
Em uma entrevista recebe ao portal especializado em arquitetura e urbanismo Arch Daily, o criador das cidades esponjas oferece reflexões e conselhos fundamentais para um planeta em transformação.

A jornalista Camila Ghisleni conversou com o arquiteto – confira a entrevista abaixo:

🎤​ ArchDaily: O conceito de cidades esponja aborda o paisagismo para além da ornamentação, valorizando sua funcionalidade. Isto também envolve uma mudança cultural onde a paisagem não é mais apreciada passivamente pelos usuários. Como mudou esta compreensão da paisagem e quão significativa é esta mudança de mentalidade?

Kongjian Yu: Sim, é uma mudança fundamental de mentalidade e uma mudança revolucionária na cultura paisagística: como representamos a paisagem, como avaliamos a paisagem e como projetamos e alteramos a paisagem. Quando o clima muda, tudo muda, levando à criação de uma nova cultura paisagística. Isto inclui uma nova linguagem de interpretação da paisagem, design, tecnologia de intervenção e até uma nova estética, que chamo de “estética do pé grande”, em oposição à tradicional “estética do pé pequeno bem cuidado”, metáfora que se refere à tradição chinesa de amarrar os pés em busca da beleza em detrimento da funcionalidade dos pés naturais e soltos.

🎤 AD: A “estética agrária” dos seus projetos foi inspirada na tradição agrícola camponesa chinesa. Por que é importante observar a história e as técnicas antigas ao projetar uma paisagem?

YU: Independentemente do tipo de paisagens com as quais os arquitetos paisagistas trabalham, desde remanescentes selvagens e campos agrícolas até espaços urbanos abertos e paisagens pós-industriais, elas precisam ser projetadas para integrar as atividades humanas e os processos naturais de um modo harmonioso que seja sustentável. O resultado é uma paisagem ‘Deep Form’, idealizada por John Lyle, que é uma manifestação de cura da relação alienada entre a humanidade e a natureza. A Forma Profunda (tradução para o português) requer um forte vínculo entre as atividades humanas e a natureza. E nenhum vínculo entre a humanidade e a natureza é tão forte como aquele entre os camponeses e as suas terras; no entanto, este vínculo profundo foi em grande parte quebrado pela urbanização que se seguiu à Revolução Industrial, continuando até à modernização da nova Era Digital.
É, portanto, de fundamental importância estudar como os camponeses, historicamente e ainda hoje com as suas práticas agrícolas tradicionais, transformam a sua paisagem natural para viver, evoluindo assim uma variedade de Formas Profundas inspiradoras.

Termine de ler esta entrevista clicando no CicloVivo

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