
23/07/2024
Pesquisadores do projeto Baleia Jubarte comemoraram no catamarã quando avistaram, no começo deste mês, uma baleia-jubarte fêmea nadando com o filhote no mar do Rio de Janeiro. Foi a segunda vez que viram um filhote na costa fluminense.
A espécie passa o verão na região antártica, mas, quando as temperaturas por lá caem, no meio do ano, migram em busca das águas quentes do Nordeste brasileiro para se reproduzir.
Elas buscam o Brasil, segundo biólogos, porque desejam que os filhotes aprendam os primeiros movimentos em mares menos gelados. A viagem de cerca de 4.000 km pode durar até dois meses.
Além disso, a água dos oceanos tem ficado mais quente devido à crise climática, o que tem tornado mais difícil para os animais acharem locais com a temperatura ideal, de 28°C.
Durante este período de reprodução, grupos de competidores machos emitem cantos para agradar a fêmea. Pela estimativa dos pesquisadores, o filhote identificado no mar do Rio é carioca de nascimento.
Uma jubarte recém-nascida pode alcançar 4 metros de comprimento e até 1 tonelada. O crescimento é rápido —ganham cerca de 20 kg por dia, graças ao leite materno rico em gordura. As adultas chegam a 16 metros e 40 toneladas.
O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no extremo sul da Bahia, é o destino mais comum das baleias para acasalamento e abrigo.
"O Rio, assim como São Paulo e Espírito Santo, faz parte da rota migratória do animal. O filhotinho nasce na água quente e cresce para voltar às águas geladas", afirma o biólogo Guilherme Maricato, pesquisador do projeto Baleia Jubarte.
A cada temporada de migração, elas têm aparecido em maior número no Rio de Janeiro. Com o fenômeno, embarcações anunciam passeios turísticos pela costa fluminense para avistá-las —uma vaga chegar a custar até R$ 600.
Quem dá a sorte de encontrar os animais pode se deparar com performances impressionantes. Elas saltam e mergulham de cabeça, de costas, com o peitoral. Colocam para fora d´água a cauda e as nadadeiras.
O projeto Baleia Jubarte calcula que o fluxo migratório pela costa brasileira aumentou de mil indivíduos, em 1988, para 30 mil atualmente. O crescimento está associado à proibição à caça das baleias, determinada em 1986 pela Comissão Internacional das Baleias, da qual o Brasil faz parte.
Até a assinatura da moratória à caça, países permitiam a extração do óleo de baleia para lubrificar máquinas, impermeabilizar paredes e produzir combustível para iluminação pública. As barbatanas eram retiradas para a confecção de espartilhos, a carne era consumida e os ossos triturados eram usados como massa na construção civil.
Em 1996, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) definiu normas de proteção da espécie, como a proibição de se aproximar de baleias com motor engrenado a menos de 100 metros, persegui-las, interromper o curso de deslocamento e produzir ruídos excessivos.
Em 2014, o Ministério do Meio Ambiente retirou as jubartes da lista oficial de espécies ameaçadas no Brasil.
Conclua a leitura desta reportagem clicando na Folha de S. Paulo
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