
29/08/2024
Pressionada pelo aumento consistente no número de queimadas no país, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, declarou, na semana passada, que havia suspeitas de que uma série de incêndios em São Paulo neste mês poderiam ter sido orquestrados, repetindo um episódio que ficou conhecido como "Dia do Fogo", ocorrido em 2019.
Na ocasião, o governo federal divulgou que a Polícia Federal tem 31 investigações sobre incêndios florestais.
Mas a comparação feita por Marina jogou luz sobre um assunto que parecia estar esquecido: afinal, o que aconteceu com os responsáveis pelo "primeiro" Dia do Fogo de cinco anos atrás?
Uma apuração da BBC News Brasil revela que, cinco anos depois do suposto primeiro "Dia do Fogo", as duas investigações em nível federal sobre o assunto foram arquivadas no primeiro semestre deste ano sem que ninguém tenha sido indiciado, denunciado ou julgado pelo episódio.
Em nota enviada à BBC News Brasil na terça-feira (27), o Ministério Público Federal (MPF-PA), o órgão informou que as investigações não conseguiram chegar a uma conclusão sobre o episódio.
"As investigações não lograram êxito em obter elementos de convicção para a propositura de denúncia pelo MPF", disse um trecho da nota enviada pelo MPF-PA.
Os inquéritos, segundo o MPF-PA foram arquivados em fevereiro e em junho deste ano, mas só foi revelada agora.
A BBC News Brasil também procurou o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a Polícia Federal e a Polícia Civil do Pará (que também abriu uma investigação sobre o episódio). O MJSP pediu que as questões sobre o caso fossem enviadas à PF. A Polícia Federal e a Polícia Civil do Pará não responderam.
Ambientalistas avaliam que a falta de responsabilização pelo Dia do Fogo de 2019 fortalece a sensação de impunidade em relação a crimes ambientais no Brasil.
O "Dia do Fogo" é como ficou conhecido uma série de incêndios florestais no município de Novo Progresso, no Sudoeste do Pará, entre os dias 10 e 11 de agosto de 2019.
À época, houve a suspeita de que os incêndios foram combinados por fazendeiros do Oeste e Sul do Pará como forma de demonstrar apoio ao então presidente da República, Jair Bolsonaro. Naquele momento, o governo vinha sofrendo pressões domésticas e internacionais pelo aumento no número de incêndios na Amazônia.
As suspeitas de que as queimadas em municípios como Novo Progresso haviam sido combinadas surgiram após um veículo jornalístico da cidade publicar uma reportagem informando que empresários e fazendeiros da região haviam combinado os incêndios por meio de um grupo de WhatsApp.
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