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Técnica aumenta a sobrevivência de plantas da Caatinga de 30% para 70%

26/09/2024

Desde agosto, a Fazenda Raposa, situada em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza (CE), é o palco de um experimento de restauração ambiental. Utilizando uma técnica inovadora, o projeto aposta na produção de mudas com raízes alongadas, o que aumenta significativamente a taxa de sobrevivência das espécies da Caatinga, passando de 30% para 70%.
A pesquisadora responsável pela atividade, lali Fernandes, do Laboratório de Ecologia da Restauração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), explica que a técnica consiste na utilização de canos de PVC como vasos, permitindo que as raízes das mudas se desenvolvam adequadamente antes do plantio.
“Após um período em estufa, as raízes das mudas atingem um metro de extensão, facilitando sua adaptação ao ambiente de plantio e aumentando as chances de sobrevivência na semiaridez da Caatinga”, enfatiza a profissional.
O experimento é realizado em parceria com a Associação Caatinga e foi desenvolvido pela professora Gislene Ganade, mentora de Iali. “Esse método inovador foi reconhecido pela ONU e recebeu o prêmio Dryland Champions pela sua contribuição no combate à desertificação”, destaca Iali.
O projeto prevê a implementação de até 40 parcelas experimentais, nas quais serão testados quatro tipos de manejo: aplicação de água, remoção de herbáceas, uma combinação de ambos, e a ausência de tratamentos. O objetivo é avaliar o impacto dessas condições na sobrevivência e crescimento das plantas nativas da Caatinga, além de entender o papel das herbáceas nesse processo.
Além disso, as mudas estão sendo plantadas durante o período de estiagem na Caatinga. A ideia é avaliar a capacidade de sobrevivência dessas plantas em condições adversas. Segundo Marília Nascimento, coordenadora de programas socioambientais da Associação Caatinga, o experimento pode representar uma mudança significativa nas práticas de recuperação ambiental.
“As pessoas preferem plantar na Caatinga durante o período chuvoso, pois a chuva favorece o desenvolvimento das mudas. Mas, se esse experimento for bem-sucedido na seca, será um grande avanço para a restauração da Caatinga”, destacou.
A Associação Caatinga, além desse experimento, realiza diversos outros projetos de conservação e restauração na Fazenda Raposa, onde já foram plantadas mais de 31.550 mudas. “Essa pesquisa não apenas visa proteger ainda mais a Fazenda Raposa, mas também avançar nas tecnologias de restauração do bioma Caatinga, contribuindo para a preservação desse ecossistema único”, finaliza Marília.

Fonte: CicloVivo

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