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Entenda o problema das secas históricas que atingem países da América do Sul

07/11/2024

Cortes de eletricidade em todo um país. Uma capital racionando água. Um prefeito incentivando as pessoas a tomarem banho juntas para economizar preciosas gotas. O maior sistema fluvial do mundo, o Amazonas, que sustenta cerca de 30 milhões de pessoas em oito países, está secando.
Uma seca recorde que já está em seu segundo ano está castigando grande parte da América do Sul, incluindo a floresta amazônica, desestabilizando vidas e economias locais e oferecendo um vislumbre alarmante do futuro à medida que os efeitos das mudanças climáticas se tornam mais aparentes.
No Brasil, incêndios florestais alimentados por calor escaldante e condições prolongadas de seca consumiram vastas áreas de floresta, pântanos e pastagens, com a fumaça se espalhando por 80% do país. Isso levou ao cancelamento de aulas, hospitalizações e uma poeira negra cobrindo o interior das casas.
Ao sul, no Paraguai, o rio Paraguai atingiu novos recordes de baixa. Navios estão encalhados e pescadores dizem que seus alvos mais valiosos —incluindo o enorme surubim— praticamente desapareceram, forçando muitas pessoas a procurar trabalho em outros lugares para sustentar suas famílias.
Com grande parte da América do Sul dependente de hidrelétricas, a produção de eletricidade despencou. No Equador, as pessoas estão enfrentando cortes de energia de até 14 horas por dia, derrubando a internet e enfraquecendo a economia do país.
Na capital da Colômbia, Bogotá, o governo está cortando o fornecimento de água para residências em intervalos regulares e o prefeito sugeriu que as pessoas "tomem banho em casal" para reduzir o consumo.
Longos trechos do rio Amazonas se transformaram em praias secas e marrons, e as autoridades estão dragando seções para torná-las mais profundas.
A seca atingiu todos os países do continente, exceto Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Ela se estende, aproximadamente, da província de Córdoba, no centro-norte da Argentina, até o extremo norte do continente, de acordo com a agência Noaa, dos EUA.
Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela foram particularmente afetados, com grandes áreas desses países experimentando "seca excepcional", marcada com uma cor vermelha profunda em um mapa da Noaa.
A seca cobre grandes partes da floresta amazônica, especialmente preocupante porque é o sumidouro de carbono mais importante do mundo, absorvendo gases que retêm calor.
Condições mais secas diminuem a capacidade da floresta de absorver esses gases, agravando o aquecimento global, diz Lincoln Muniz Alves, cientista climático do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) do Brasil.

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