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Quantidade recorde de algas marinhas atinge o Caribe e afeta o turismo, a vida marinha e a saúde pública

05/06/2025

Uma quantidade recorde de sargaço – um tipo de alga marinha flutuante - se acumulou no Caribe e em áreas próximas, em maio, e ainda é esperada para este mês, de acordo com um novo relatório.
A alga espinhosa marrom está sufocando o litoral de Porto Rico à Guiana. E além de interromper o turismo, mata a vida selvagem e liberando gases tóxicos que forçaram o fechamento temporário de uma escola na ilha caribenha francesa de Martinica.
A quantidade — 38 milhões de toneladas métricas — é a maior quantidade de algas observada no Mar do Caribe, no Atlântico ocidental e oriental e no Golfo do México, desde que os cientistas começaram a estudar o Grande Cinturão de Sargaço do Atlântico em 2011, disse Brian Barnes, professor assistente de pesquisa da Universidade do Sul da Flórida. Barnes trabalhou no relatório publicado na segunda-feira (2) pelo Laboratório de Oceanografia Óptica da Universidade do Sul da Flórida.
O recorde anterior foi estabelecido em junho de 2022, com cerca de 22 milhões de toneladas métricas.
"Os picos parecem ficar cada vez maiores a cada ano", disse ele. Mas os cientistas ainda não sabem o porquê. "É a pergunta de um milhão de dólares. Não tenho uma resposta totalmente satisfatória”, diz.
Existem três tipos diferentes de sargaço no Caribe e em áreas próximas, reproduzindo-se assexuadamente, enquanto flutuam graças a pequenos sacos de ar.
Eles prosperam de maneiras diferentes dependendo da luz solar, dos nutrientes e da temperatura da água, fatores que os cientistas estão estudando atualmente, disse Barnes.
Especialistas também afirmam que o escoamento agrícola, o aquecimento das águas e as mudanças no vento, nas correntes e na chuva podem ter um efeito.
Embora grandes aglomerados de algas em mar aberto sejam o que Barnes chamou de "ecossistema saudável e feliz" para criaturas que vão desde pequenos camarões até tartarugas marinhas ameaçadas de extinção, o sargaço próximo ou na costa pode causar estragos.
Ele pode bloquear a luz solar necessária para a sobrevivência dos recifes de corais e, se as algas afundarem, podem sufocar recifes e ervas marinhas. Ao chegar à costa, as criaturas que vivem nas algas morrem ou são caçadas por pássaros, disse Barnes.
Enormes pilhas de algas marinhas fétidas também são uma dor de cabeça para o Caribe, onde o turismo costuma gerar muito dinheiro para pequenas ilhas.
"É um desafio, mas certamente não está afetando cada centímetro do Caribe", disse Frank Comito, consultor especial da Associação de Hotéis e Turismo do Caribe.
No popular ponto turístico de Punta Cana, na República Dominicana, as autoridades investiram em barreiras para impedir que o sargaço chegue à costa, disse ele.
No território caribenho holandês de St. Maarten, equipes com retroescavadeiras foram enviadas no final de maio como parte de uma limpeza emergencial, após moradores reclamarem de odores fortes de amônia e sulfeto de hidrogênio, que podem afetar o sistema respiratório de uma pessoa. Segundo Barnes, o cheiro é “horrível".
Enquanto isso, no Caribe francês, as autoridades esperam em breve usar barcaças de armazenamento e uma embarcação especial modernizada, que pode coletar várias toneladas de algas por dia.

Conclua a leitura desta reportagem acessando o g1

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