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Uma bicicleta retira até 52 passageiros por mês do transporte público

05/06/2025

A área de transporte está entre as três que mais emitem gases de efeito estufa (GEE) no Brasil, ao lado de agricultura e resíduos, indicou o relatório Net Zero Readiness Report 2023, da consultoria KPMG. O setor foi responsável por 16% das emissões desses gases no país em 2022. O transporte também lidera a lista do aumento nas emissões absolutas de GEE: houve crescimento de 53% entre 2005 e 2022.
Diante do avanço das mudanças climáticas, reduzir as emissões poluentes, incluindo esforços ligados ao transporte, tornou-se uma necessidade urgente. Nesse contexto, as bicicletas podem ser grandes aliadas. Um estudo que contou com a participação de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) buscou compreender o impacto do uso de bicicletas no transporte público e, consequentemente, na redução das emissões de gases poluentes, tendo como objeto de análise a cidade de Curitiba (PR).
“Os sistemas municipais de transporte enfrentam diversos desafios, incluindo disponibilidade, desempenho, segurança, conforto e valor da tarifa. Do outro lado, as bicicletas, apoiadas por incentivos públicos em razão de seu apelo ambiental, competem com o transporte público”, afirma Luis André Fumagalli, pós-doutor em Gestão Urbana pela PUCPR.
Entre os destaques da pesquisa, alguns achados foram bastante interessantes, como a conclusão de que cada nova bicicleta na cidade retira até 52 passageiros – ou passagens de ônibus – do sistema por mês. Ainda, verificou-se que a cada R$ 0,10 de reajuste na tarifa do transporte coletivo, o número de bicicletas no município aumenta 1.068 unidades, assim como são acrescidas 1.520 unidades à quantidade de bicicletas da cidade quando o preço dos combustíveis sobe R$ 0,10. Por fim, para cada quilômetro adicional de ciclovias implantadas, há um aumento de 333 bicicletas em circulação.
Os pesquisadores também constataram que o passageiro que troca o ônibus pela bicicleta raramente volta a usar o transporte coletivo, exceto em situações de clima severo, como baixas ou altas temperaturas e em dias muito chuvosos.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores realizaram análises estatísticas e de regressão sobre os números do transporte coletivo e da entrada e aquisição de outros modais de transporte na capital paranaense num intervalo de tempo de 10 anos, entre 2010 e 2019, coletados de sites oficiais públicos. No período, a média de usuários de ônibus em Curitiba por dia era de 1,47 milhão.
Além das bicicletas, foram conduzidas pesquisas envolvendo automóveis e motocicletas. A cada novo carro, há uma perda estimada de 25 passageiros – ou passagens – mensais. Quando o olhar recai sobre as motos, observa-se que são 201 usuários – ou passagens.
“As bicicletas estão absorvendo consideravelmente os passageiros do transporte público e, conscientemente ou não, a administração da cidade vem contribuindo para essa tendência por meio de investimentos em ciclovias dedicadas, serviços de compartilhamento de bicicletas elétricas e bicicletários no centro da cidade”, comenta Fumagalli.
Para o pesquisador, os achados podem auxiliar administrações municipais no planejamento urbano relacionado ao equilíbrio e manutenção do transporte público, que perde demanda de forma crescente a cada ano, diminuindo a receita e encarecendo a passagem, atingindo principalmente passageiros que não têm outras opções de locomoção.
A pesquisa “Patronage loss and bicycles: factors influencing mode transition from a strategic digital city perspective” (“Diminuição de demanda e bicicletas: fatores que influenciam a transição modal na perspectiva da cidade digital estratégica”, em tradução livre) foi publicada na revista científica Journal of Infrastructure, Policy and Development.
Diferentemente de Curitiba, que implantou as primeiras estruturas cicloviárias urbanas do país, diversas cidades ainda têm pouco estímulo ao transporte ativo. A Tembici, empresa responsável pelo compartilhamento de bicicletas nas principais capitais brasileiras, fez um levantamento com a sua base de usuários. Para 36% dos respondentes, a segurança no trânsito é o principal obstáculo que os impede de pedalar mais.
Sob o recorte de gênero, o impacto é maior entre as mulheres. Segundo o estudo, 40% das entrevistadas afirmam que a insegurança é um dos principais desafios que as impedem de pedalar mais; entre os homens ouvidos, o temor foi citado por 33%.
“Destacar aspectos que impactam a experiência do ciclista é uma maneira de incentivar a cultura da bicicleta ao mostrar as oportunidades que as cidades têm para se tornar espaços que fomentam a ciclomobilidade. Como próximo passo, o desenvolvimento de propostas e parcerias que mitiguem a insegurança no trânsito é essencial. A transformação da mobilidade urbana envolve a escuta, planejamento e, principalmente, execução”, comenta Thiago Boufelli, Diretor de Operações da Tembici.
Os desafios enfrentados e apontados pelos brasileiros se repetem na América Latina, região na qual a cultura da bicicleta também está em plena expansão. O território contabiliza mais de 45 mil bikes e cerca de 80 sistemas de bicicletas compartilhadas. No local, o Brasil se destaca por deter a maior oferta de bike-sharing no continente e, em números, representa 35% do total. Entretanto, na região, a proporção de quilômetros de vias com ciclovias ou ciclofaixas não chega aos 6%.

Fonte: CicloVivo

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