
24/06/2025
Um empreendedor tunisiano descobriu como transformar milhares de toneladas de resíduos de azeitonas, provenientes da produção de azeite de oliva, em combustível — uma solução que ajuda a reduzir o desmatamento e a cortar as emissões de carbono.
Apesar dos desafios de um ambiente de negócios difícil, ele conseguiu lançar um empreendimento de sucesso chamado Bioheat, que comercializa briquetes feitos a partir dos resíduos de azeitona tanto dentro do país quanto no exterior. Situada entre as vastas nações da Líbia e da Argélia, a pequena Tunísia tem uma produção agrícola muito significativa.
O cultivo de oliveiras no país remonta à época romana, e famílias rurais tradicionalmente reaproveitam os resíduos de azeitona como combustível ou ração animal. A Tunísia é hoje o terceiro maior produtor mundial de azeite de oliva e o segundo maior exportador de tâmaras, com forte dependência da agroeconomia para seu desenvolvimento.
Essa abundante produção de azeite, no entanto, gera montanhas de subprodutos. Com o tempo, a quantidade de resíduos superou em muito o ritmo de reaproveitamento doméstico, resultando em um acúmulo anual de 600 mil toneladas de “bagaço” de azeitona.
“Sempre me perguntei como esse material conseguia queimar por tanto tempo sem se apagar”, afirmou Yassine Khelifi, engenheira que vive e trabalha no norte do país. “Foi então que me perguntei: ‘Por que não transformá-lo em energia?’”
Segundo a France 24, Khelifi foi à Europa em 2018 em busca de uma máquina que pudesse converter o bagaço em algum tipo de combustível. Depois de encontrar o equipamento e trazê-lo para a Tunísia, ela passou três anos ajustando o processo até conseguir produzir briquetes com apenas 8% de umidade.
A lenha curada, por comparação, precisa de mais de um ano ao sol para alcançar ponto semelhante de secagem, enquanto os resíduos de azeitona podem atingir esse nível em metade do tempo. Na fábrica, onde 10 pessoas trabalham, caminhões despejam os resíduos para secagem ao sol antes que eles sejam alimentados na máquina. O equipamento produz rolos longos e ocos, que são cortados, embalados e vendidos.
Um dono de pizzaria na Tunísia começou a utilizar os briquetes no lugar da lenha, reduzindo a fumaça que incomodava os vizinhos. Ele relatou que o resíduo “carrega a alma das azeitonas tunisinas e dá à pizza um sabor especial”, enquanto outros clientes de Khelifi disseram ter economizado um terço nos custos de aquecimento. Cerca de 60% dos briquetes são exportados, e Khelifi espera produzir 600 toneladas até o fim do ano — volume que corresponde a 1% de todo o resíduo de azeitona gerado no país.
Fonte: CicloVivo
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