
02/08/2012
O desafio contemporâneo é limpar a cadeia produtiva. No Brasil, os projetos para isso não são ainda em escala industrial.
Poucas imagens são tão vinculadas ao trabalho degradante quanto a de homens, com rostos cobertos de fuligem negra, saindo de uma mina de carvão mineral. Poucos episódios simbolizam tão bem a poluição do ar quanto o grande nevoeiro letal, resultante de uma mistura de névoa natural com fumaça negra, que encobriu a cidade de Londres, em 1952. O fenômeno, que matou 12 mil londrinos, especialmente crianças e idosos, ficou conhecido como Big Smoke. Desde então, a fama de feio, sujo e malvado não se desgrudou mais do carvão - o combustível fóssil que mudou a face do mundo propiciando a Revolução Industrial.
Dois séculos se passaram e ainda hoje o carvão é a principal fonte geradora de energia elétrica do mundo. Países como Estados Unidos, Japão, China, Índia, África do Sul e Rússia são tão dependentes do carvão no século XXI, quanto era a Inglaterra, no século XIX. O Brasil é uma rara exceção. Aqui, o carvão tem um peso irrisório na matriz energética, apenas 1,5%. No mundo, ele responde por 41%. Motivo de tamanho poder? Preço baixo, oferta abundante e estoques longevos. As reservas de carvão somam hoje 860 bilhões de toneladas e são suficientes para 130 anos - pouco mais que o dobro da vida útil prevista para o petróleo, que pode se exaurir em cerca de seis décadas.
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