
09/08/2012
Dois anos após perder cerca de 30% de seu acervo de aranhas em um incêndio, o Instituto Butantan volta a ganhar destaque internacional ao anunciar 17 novas espécies. A descoberta, que levou à descrição de um novo gênero - Predatoroonops-, é a maior contribuição do País para o The Goblin Spider, um dos mais ambiciosos projetos mundiais já realizados para a sistematização desses artrópodes.
As espécies da família Oonopidae foram identificadas após seis anos de análise de aranhas coletadas na Mata Atlântica. Segundo os pesquisadores, elas chamam a atenção pela estrutura das quelíceras - um tipo de gancho frontal que serve para captura de alimentos e proteção. "Possuem várias articulações e são totalmente diferentes das de espécies de outros gêneros", explica o biólogo Antonio Brescovit, um dos responsáveis pela descoberta.
Brescovit e a pesquisadora Cristina Anne Rheims, que também catalogou as novas espécies, estavam entre os biólogos que correram para tentar salvar amostras em meio ao incêndio de 2010. Mesmo com as grandes perdas, eles dizem que o material foi salvo porque o fogo não atingiu a sala dos pesquisadores. "Quando soubemos do incêndio, achamos que perderíamos as amostras. Vim para o Butantan na mesma hora, ainda de pijamas", relembra Cristina. Dos 160 mil lotes (pequenos frascos com cinco exemplares cada um, em média), estima-se que mais de 40 mil foram perdidos.
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