
16/08/2012
Uma matriz desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa permitirá avaliar o uso dos recursos hídricos pelo setor industrial nacional e garantir a eficiência no consumo.
Mais de um bilhão de pessoas já sofrem com o racionamento de água no planeta. Demorou, mas a importância do uso racional desse bem tão precioso tem recebido mais atenção das pessoas. O tema, inclusive, entrou na pauta de discussão da Rio+20, evento da Organização das Nações Unidas ocorrido no Rio de Janeiro em junho. Para tirar o atraso de décadas no que diz respeito à gestão de recursos hídricos, pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) acabam de entregar ao Ministério do Meio Ambiente a Matriz de Coeficientes Técnicos para Recursos Hídricos no Brasil.
A demanda partiu do Conselho Nacional de Recursos Hídricos como parte dos esforços despendidos pelo ministério para a implementação do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH). O desenvolvimento da matriz durou dois anos e meio, sob os cuidados do professor e vice-reitor da UFV, Demetrius David da Silva. "Até pouco tempo atrás, o Brasil não tinha parâmetros adequados à realidade do setor industrial nacional para avaliar se um empreendimento estava ou não abusando da quantidade de água captada em um manancial hídrico para fabricar seus produtos. A referência é fundamental para a gestão das águas brasileiras e para coibir abusos que podem prejudicar regiões inteiras abastecidas por mananciais superficiais ou subterrâneos em uma bacia hidrográfica", destaca.
A equipe avaliou as vazões de retirada, de consumo e de devolução de água ao manancial das principais tipologias de atividades industriais realizadas no País, com base na classificação nacional de atividades econômicas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Agora, é possível analisar quanto uma indústria consome de água para produzir um carro, uma tonelada de celulose ou um quilo de carne, por exemplo.
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