
02/12/2025
Uma pesquisa recente na Inglaterra alerta para o declínio das brincadeiras ao ar livre entre crianças. Mais de um terço das crianças não brincam ao ar livre depois da escola, e uma em cada cinco não o faz nos fins de semana, levantando preocupações sobre a saúde física e mental infantil.
O estudo da Universidade de Exeter, publicado na revista Wellbeing, Space and Society, revelou que 34% das crianças não brincam ao ar livre em dias de aula, enquanto 20% não brincam ao ar livre nos fins de semana. Pesquisas indicam que atividades externas favorecem o desenvolvimento social e emocional, e crianças que passam mais tempo ao ar livre apresentam melhores habilidades sociais e menos problemas comportamentais e emocionais.
Os pesquisadores identificaram ainda padrões distintos entre grupos étnicos. Crianças de ascendência britânica brincam mais ao ar livre durante a semana escolar, enquanto crianças de ascendência sul-asiática concentram essas atividades nos fins de semana. Além disso, crianças de comunidades menos carentes se beneficiam mais das brincadeiras ao ar livre do que aquelas em áreas mais vulneráveis.
“Brincar ao ar livre é essencial para o crescimento e desenvolvimento das crianças, e nossa descoberta de que muitas crianças não brincam ao ar livre regularmente é preocupante, pois está ligada a vários problemas de saúde, incluindo obesidade, ansiedade e depressão”, afirma o pesquisador principal, Dr. Mark Ferguson.
Ainda segundo o pesquisador, é preciso criar medidas para incentivar atividades ao ar livre e garantir que as crianças levem vidas saudáveis e ativas, como a criação de áreas residenciais propícias ao lazer e ambientes urbanos mais seguros, onde as famílias possam relaxar, se exercitar, socializar e brincar. “Mas é importante lembrar as diferenças culturais e envolver as comunidades para que essas iniciativas sejam bem-sucedidas”, ressalta.
A pesquisa analisou 2.568 crianças de 7 a 12 anos, participantes do programa multiétnico “Born in Bradford”, que acompanha a saúde, o desenvolvimento e o bem-estar de mães e filhos desde a gestação.
“Este estudo demonstra a importância de as crianças se afastarem das telas e brincarem ao ar livre depois da escola e nos fins de semana para a saúde mental delas. Temos a sorte de, em Bradford, contarmos com muitos parques e áreas verdes belíssimas”, afirma a professora e diretora do programa Rosie McEachan. “As ruas do nosso bairro são espaços igualmente importantes para as crianças, e precisamos garantir que sejam locais seguros e acolhedores, livres de trânsito e poluição”, completa.
Os pesquisadores avaliaram habilidades socioemocionais usando a pontuação total de dificuldades, calculada a partir de questionários respondidos pelos pais. A análise conclui que brincadeiras ao ar livre fortalecem habilidades socioemocionais por meio de atividade física, socialização e aventuras, reforçando a necessidade de ampliar o acesso seguro a espaços externos.
Fonte: CicloVivo
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