UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Vulcões pouco conhecidos representam a maior ameaça para as pessoas no planeta

02/12/2025

É mais provável que o próximo desastre vulcânico global venha de vulcões que parecem inativos e são pouco monitorados do que de vulcões famosos, como o Etna, na Sicília, ou o Yellowstone, nos Estados Unidos.
Muitas vezes ignorados, esses vulcões “ocultos” entram em erupção com mais frequência do que a maioria das pessoas imagina. Em regiões como o Pacífico, América do Sul e Indonésia, um vulcão sem histórico registrado entre em erupção a cada sete a dez anos. E seus efeitos podem ser inesperados e de longo alcance.
E um destes vulcões acabou de fazer exatamente isso. Em novembro de 2025, o vulcão Hayli Gubbi, na Etiópia, entrou em erupção pela primeira vez na história registrada (pelo menos 12.000 anos, que sabemos). Ele lançou nuvens de cinzas a 13,7 km de altura, com material vulcânico caindo no Iêmen e flutuando no espaço aéreo sobre o norte da Índia.
Não é preciso ir muito longe na história para encontrar outro exemplo. Em 1982, o pouco conhecido e não monitorado vulcão mexicano El Chichón entrou em erupção explosiva após permanecer inativo por séculos. Essa série de erupções pegou as autoridades de surpresa: avalanches quentes de rochas, cinzas e gases destruíram vastas áreas da selva. Rios foram represados, edifícios destruídos e cinzas caíram até na Guatemala.
Mais de 2.000 pessoas morreram e 20.000 ficaram desabrigadas no pior desastre vulcânico do México na era moderna. Mas a catástrofe não se limitou ao México. O enxofre da erupção formou partículas refletoras na atmosfera superior, resfriando o Hemisfério Norte e deslocando a monção africana para o sul, causando uma seca extrema.
Isso por si só já testaria a resiliência e as estratégias de enfrentamento de qualquer região. Mas quando coincidiu com uma população vulnerável que já vivia em situação de pobreza e guerra civil, o desastre foi inevitável. A fome na Etiópia (e na África Oriental) de 1983-85 ceifou a vida de aproximadamente 1 milhão de pessoas. Isso chamou a atenção global para a pobreza e resultou em campanhas como a Live Aid.
Poucos cientistas, mesmo dentro da minha área de ciências da Terra, se dão conta de que um vulcão remoto e pouco conhecido teve um papel importante nessa tragédia.
Apesar dessas lições, o investimento global em vulcanologia não acompanhou os riscos: menos da metade dos vulcões ativos são monitorados, e a pesquisa científica ainda se concentra desproporcionalmente em poucos vulcões muito conhecidos.
Existem mais estudos publicados sobre um vulcão (Monte Etna) do que sobre todos os 160 vulcões da Indonésia, Filipinas e Vanuatu combinados. Estas são algumas das regiões vulcânicas mais densamente povoadas da Terra – e as menos compreendidas.
As maiores erupções não afetam apenas as comunidades ao seu redor. Elas podem resfriar temporariamente o planeta, interromper as monções e reduzir colheitas em regiões inteiras. No passado, essas mudanças contribuíram para fomes, surtos de doenças e grandes turbulências sociais, mas os cientistas ainda não dispõem de um sistema global para antecipar ou gerenciar esses riscos futuros.

A reportagem completa pode ser lida no g1

Novidades

Onça-pintada monitorada há um ano é capturada em Corumbá (MS)

07/05/2026

Uma onça-pintada de 72 quilos que era monitorada havia um ano na área urbana de Corumbá, Mato Grosso...

VÍDEO: Elefante-marinho é flagrado às margens do Rio Piraquê-Açu em Aracruz

07/05/2026

Um elefante-marinho foi visto às margens do Rio Piraquê Açu, em Aracruz, no litoral Norte do Espírit...

Governo federal reconhece emergência em município do AC por derramamento de óleo em rio

07/05/2026

A cidade de Tarauacá, no interior do Acre, teve a situação de emergência reconhecida pelo governo fe...

Projeto do AP que transforma caroço de açaí em gás de cozinha recebe certificado de viabilidade

07/05/2026

Um projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) está transforman...

Projeto propõe usar lixo eletrônico como fonte de minerais críticos

07/05/2026

O Brasil gera mais de 2,4 milhões de toneladas de resíduos eletroeletrônicos por ano. É uma quantida...