
06/01/2026
A Califórnia deu um passo decisivo na luta contra a poluição plástica ao proibir o uso da maioria dos recipientes de espuma de poliestireno para alimentos. Quinta maior economia do mundo, o estado passou a vetar itens como embalagens em uma medida celebrada por ambientalistas como um marco na redução de resíduos e de danos ao meio ambiente.
“Descobrimos que isso poderia eliminar até 3,9 bilhões de peças de isopor todos os anos”, afirmou Anja Brandon, diretora de políticas de plásticos da Ocean Conservancy. Segundo ela, a decisão mira diretamente os riscos ambientais do poliestireno expandido, um material que se fragmenta facilmente em microplásticos, percorre longas distâncias no ambiente e gera um passivo de resíduos praticamente impossível de controlar.
A base legal da proibição está na Lei de Prevenção da Poluição Plástica e Responsabilidade do Produtor de Embalagens da Califórnia (SB 54), sancionada em 2022. A legislação estabeleceu padrões rigorosos de reciclagem para produtos de espuma, exigindo que, a partir de 1º de janeiro de 2025, os usuários comprovem que ao menos 25% desses materiais foram reciclados. Na prática, trata-se de uma meta quase inalcançável, já que menos de 1% da espuma de poliestireno é efetivamente reciclada, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental (EPA).
Essa exigência acabou funcionando como uma proibição indireta, forçando empresas a migrarem para alternativas de embalagens mais sustentáveis. O senador estadual Ben Allen, autor do projeto de lei SB 54, destacou que: “não se trata de proibir produtos, mas de garantir que eles atendam às necessidades de nossas comunidades, assegurando que sejam verdadeiramente recicláveis e sustentáveis.” Allen também ressaltou o peso econômico do estado como instrumento de mudança. “O enorme mercado da Califórnia nos proporciona poder de influência sobre o comportamento das indústrias, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo”, observou.
Apesar de leve e prático, o poliestireno expandido representa um dos maiores desafios ambientais entre os plásticos descartáveis. Com frequência, esses resíduos acabam em estradas, rios e oceanos, onde se quebram em fragmentos pequenos e altamente persistentes.
“Existem opções reutilizáveis ou recicláveis muito melhores para substituí-lo”, afirmou Brandon. Ela acrescentou que a inexistência de um sistema eficaz de reciclagem torna o isopor um dos tipos de resíduo mais problemáticos. Dados da Ocean Conservancy mostram que utensílios de espuma aparecem de forma recorrente entre os dez itens mais coletados em mutirões internacionais de limpeza costeira, mesmo representando apenas uma fração do consumo total de plástico.
Experiências anteriores reforçam a eficácia dessas políticas. Após Maryland se tornar o primeiro estado americano a adotar uma proibição semelhante, a Ocean Conservancy registrou uma queda de 65% na quantidade de itens de espuma recolhidos em limpezas ambientais. “Isso realmente mostra que esses tipos de políticas funcionam quando se trata de prevenir a poluição plástica nos oceanos”, disse Brandon.
Nem todos os setores receberam bem as novas regras californianas. A Dart Container, uma das maiores fabricantes de embalagens de espuma, reduziu suas operações no estado, alegando dificuldades para cumprir os padrões de reciclagem. “Estamos realinhando ativamente nossos recursos para posicionar a Dart de forma a atender às necessidades em constante mudança de nosso setor e de nossos clientes”, declarou o CEO Keith Clark.
Especialistas apontam que o movimento da indústria segue uma direção clara. Erin Simon, vice-presidente de Resíduos Plásticos e Negócios do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), defendeu a eliminação progressiva desses produtos. “O ideal é se livrar das coisas que são mais problemáticas e prejudiciais desde o início.”
Jonathan Quinn, CEO do Pacto de Plásticos dos EUA, reforçou essa visão ao lembrar que mais de 100 organizações integrantes do pacto trabalham em um plano conjunto para retirar de circulação materiais nocivos ao meio ambiente.
A iniciativa da Califórnia tende a acelerar esforços semelhantes em outras regiões. Enquanto as Nações Unidas conduzem negociações para um tratado global sobre resíduos plásticos, defensores ambientais veem as ações estaduais como catalisadoras de mudanças mais rápidas.
Brandon avalia que políticas locais têm capacidade de pressionar a indústria com mais agilidade do que acordos internacionais. “As próprias empresas estão reconhecendo que existem alguns tipos de materiais que são simplesmente mais problemáticos e desnecessários”, afirmou.
Com outros dez estados americanos e mais de 100 cidades já adotando proibições ou restrições ao uso de espuma, a decisão californiana desponta como referência no enfrentamento aos plásticos descartáveis. Mais do que reduzir o lixo, a medida sinaliza uma redefinição do que significa produzir e consumir de forma responsável no século XXI.
Fonte: CicloVivo
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