
06/01/2026
O objetivo era chegar bem longe e, embora o caminho tenha sido árduo e repleto de obstáculos, houve progresso significativo, ainda que menor que o necessário. Essa foi a sensação de especialistas ao final da COP30, a primeira Conferência do Clima das Nações Unidas realizada no Brasil, em Belém (PA), no coração da Amazônia. O evento foi o principal fato da área ambiental em 2025, concentrando grandes expectativas em um ano que também foi marcado por eventos climáticos extremos em diferentes regiões do país e do mundo e por decisões políticas, econômicas e institucionais com reflexos positivos e negativos sobre a conservação da natureza.
“Como cientistas, tínhamos a expectativa de que a COP30 se estabelecesse como a mais significativa das 30 Conferências das Partes (COPs) já realizadas. A esperança era que todos os países chegassem a um consenso sobre a urgência da crise climática, com a aprovação do ‘mapa do caminho’ para ir além dos combustíveis fósseis, buscando uma solução para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 grau Celsius”, afirma o climatologista Carlos Nobre, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O pesquisador explica que, apesar dos esforços da diplomacia brasileira, os dois “mapas do caminho” propostos para a eliminação gradual do uso de combustíveis fósseis em curto prazo até 2040 ou, no máximo, até 2045, e para a erradicação do desmatamento global até 2030, especialmente nas florestas tropicais, não foram aprovados por todos os países. Nobre ressalta, no entanto, que a COP30 marcou um avanço significativo na adaptação às mudanças climáticas, com a criação de um conselho e de um fundo de adaptação, além de um sistema para identificar as necessidades de cada país. “Estima-se que esse fundo necessite de cerca de 300 bilhões de dólares anuais a partir de 2026, mas as doações ainda não se concretizaram. As negociações prosseguem e temos boas perspectivas nesse sentido”, destaca o cientista.
Para André Ferretti, gerente de economia da biodiversidade da Fundação Grupo Boticário e também membro da RECN, a COP30 teve surpresas positivas, como a maior importância dada ao oceano na agenda climática, com destaque para o “Blue Package”, um conjunto com 70 soluções oceânicas para enfrentar a emergência climática e contribuir com a redução de até 35% das emissões até 2050.
Outro fator positivo na visão de Ferretti foram os avanços nas ações para adaptação às mudanças climáticas, com a aprovação de 59 indicadores no âmbito do Objetivo Global de Adaptação; o Acelerador Global de Adaptação para apoiar as NDCs (as contribuições nacionalmente determinadas dos países); e os planos de adaptação dos países, com a meta de triplicar o financiamento para isso até 2035. “Também houve um avanço na compreensão sobre as Soluções Baseadas na Natureza para enfrentar desafios nos mais diversos setores, como saúde, agropecuária, cidades, zonas costeiras, indústria, turismo, recursos hídricos, energia, entre outros”, frisa o gerente da Fundação.
Veja a retrospectiva ambiental em 2025 clicando no CicloVivo
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