
06/01/2026
Uma nova espécie de caranguejo foi encontrada e catalogada em um parque de Mauá, na Grande São Paulo. Foram mais de dez anos de estudos até comprovar que esse é o único lugar do planeta onde existe esse crustáceo da espécie Aegla, popularmente conhecido como caranguejo-de-rio.
O animal é tão pequeno que é difícil enxergá-lo dentro da água da gruta Santa Luzia, onde nasce o Rio Tamanduateí.
Batizado de Aegla tamanduateí, o caranguejo foi visto pela primeira vez pelo espeleólogo Ericson Cernawsky em julho de 2012.
Junto com um amigo, Carlos Eduardo, vim fazer um novo mapa da gruta quando vimos um indivíduo que a gente achou diferente. E, na ocasião, eu comuniquei ao professor Sério Bueno. (...) A gente não imaginava encontrar nesse tipo de caverna um bicho como um Aegla.
— Ericson Cernawsky, espeleólogo
Para comprovar que essa é uma espécie exclusiva do parque, foi necessário um longo trabalho de pesquisa, que depois acabou publicada em uma revista internacional de referência.
O professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) Sérgio Bueno explica que foram feitas diversas análises morfológicas e genéticas do animal.
"Uma primeira forma de comparação é a análise morfológica. A gente estuda a morfologia externa do bicho e a compara com a morfologia externa de outras espécies conhecidas", afirma.
Em seguida, é feita a comparação do ponto de vista genético.
Cada bicho tem a sua identidade genética. Uma amostra de tecido desse animal, normalmente a musculatura, é retirada e levada para fazer a extração de DNA.
— Sérgio Bueno, professor do Instituto de Biociências da USP
O professor explica que o Parque da Gruta Santa Luzia, por ser um local protegido, ofereceu as condições ideais para o caranguejo.
"Aqui é uma nascente do Tamanduateí, onde as fontes vão se originar e formar o Rio Tamanduateí. Mais que isso: essas nascentes estão num lugar considerado protegido, preservado. Então, esse ambiente é saudável de manter populações biológicas", disse.
Além do aspecto ecológico, a gruta tem uma história de peregrinação. Devotos de Santa Luzia vão ao local em busca de cura para problemas na visão.
"Milhares de pessoas que têm problemas com a sua visão ou querem fazer um pedido para a santa frequentam mensalmente a gruta", afirma o ambientalista Rogério Santana.
Ele conta que, na década de 50, muitos vieram para a região trabalhar em pedreiras. E, como havia acidentes com as lascas de pedras ao picotar a pedra, os trabalhadores iam até a gruta lavar os olhos. Por isso, segundo ele, "a gruta ficou conhecida como Santa Luzia, que é a santa protetora das vistas".
Fonte: g1
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