
08/01/2026
Centenas de crateras surgiram na região agrícola central da Turquia devido à diminuição das chuvas e ao recuo das águas subterrâneas, causando preocupação entre agricultores e especialistas ambientais que veem a situação como um sinal preocupante das mudanças climáticas.
Buracos escancarados marcam terras agrícolas que produzem milho, trigo e beterraba em Karapinar, na província de Konya, com mais de dez concentrados no campo em alguns lugares. Em áreas montanhosas, vastos e antigos buracos antes cheios de água agora estão majoritariamente secos.
O ritmo em que as crateras estão se formando na bacia de Konya acelerou nos últimos anos, com o total agora se aproximando de 700, segundo Fetullah Arik, professor de geologia que estuda crateras na Universidade Técnica de Konya.
"A principal razão para o aumento nos números é a mudança climática e a seca, que afetaram o mundo todo desde os anos 2000", disse Arik. "Como resultado dessa seca, o nível das águas subterrâneas está caindo ligeiramente a cada ano."
Ele afirmou que o ritmo de recuo dos níveis de água subterrânea atingiu 4 a 5 metros por ano, em comparação com meio metro por ano nos anos 2000, aumentando as preocupações no importante setor agrícola da Turquia.
A seca e o recuo das águas subterrâneas levam os agricultores locais a cavar mais poços, muitos sem licença, esgotando ainda mais as águas subterrâneas e agravando o problema.
"Há também uma demanda extremamente alta por água nesta bacia [Konya]", disse Arik, acrescentando que existem cerca de 120 mil poços sem licença, em comparação com cerca de 40 mil licenciados.
Embora os novos buracos não tenham causado vítimas até agora, sua natureza imprevisível coloca em risco as vidas e os pertences dos moradores locais, disse ele.
Duas crateras se abriram nas terras agrícolas pertencentes a Mustafa Sik, agricultor em Karapinar, nos últimos dois anos. Seu irmão estava a apenas uma curta distância, trabalhando na fazenda em agosto de 2024, quando o segundo buraco se formou com um "som extremamente alto e aterrorizante", disse Sik.
Uma pesquisa feita por geólogos na terra de Sik encontrou mais duas áreas onde crateras poderiam se formar —embora não seja possível prever quando isso acontecerá.
"Estamos preocupados? Claro, estamos muito preocupados", disse ele.
Fonte: Folha de S. Paulo
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