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Petróleo da Venezuela polui mais, emite quantias altíssimas de metano e gera derramamentos

08/01/2026

As reservas de petróleo da Venezuela —consideradas as maiores do mundo, com uma estimativa de 300 bilhões de barris— são notáveis não apenas pela escala. A maior parte do petróleo encontrado lá é de um dos tipos mais sujos, com alto teor de enxofre e baixo conteúdo de hidrogênio.
Antes de a Venezuela mergulhar em uma crise econômica sob o presidente Nicolás Maduro, o país produzia cerca de 3,5 milhões de barris por dia. Agora produz menos de 1 milhão de barris diariamente.
Especialistas dizem que pode levar muitos anos e bilhões de dólares em investimentos antes que a produção do país recupere os níveis anteriores.
Enquanto isso, o país passa por derramamentos de petróleo, tem uma das taxas de desmatamento mais rápidas nos trópicos e a produção de seu petróleo gera mais gases de efeito estufa, causadores da mudança climática, do que a maioria dos outros tipos de petróleo bruto.
O presidente Donald Trump descreveu o petróleo venezuelano como "provavelmente o mais sujo do mundo". Quando se trata do aquecimento global, isso é verdade.
A maior parte das reservas do país está concentrada na Faixa do Orinoco, uma vasta região na parte oriental da Venezuela que cobre quase 52 mil km².
"A maior parte do petróleo venezuelano é o que chamamos de petróleo extrapesado", diz Clayton Seigle, pesquisador sênior no programa de energia e geopolítica do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, uma organização de pesquisa de Washington. Esse tipo é viscoso e espesso e tem um teor de enxofre mais alto, bem como maior concentração de carbono que o petróleo convencional.
Por ser difícil de trabalhar, extraí-lo é mais complicado e mais caro do que o petróleo convencional, afirma Seigle. Sua extração também depende de mais energia, gerando muito mais emissões de dióxido de carbono (CO2) do que óleos mais leves.
Estudos mostraram que a produção de petróleos pesados pode gerar três a quatro vezes mais gases de efeito estufa do que a produção convencional.
Atualmente, a Venezuela é responsável por menos de 0,4% das emissões globais de carbono.
O metano, o principal componente do gás natural, é um potente gás de efeito estufa que vaza das operações de petróleo e gás. Ele também é liberado intencionalmente nas refinarias, junto com o dióxido de carbono, em um processo conhecido como queima de gás (flaring).
Apesar do declínio da indústria petrolífera da Venezuela desde os anos 1990, seus índices de flaring aumentaram drasticamente, tornando-a uma das maiores fontes de emissões de metano no mundo.
Este gás retém cerca de 80 vezes mais calor na atmosfera do que o CO2 no curto prazo e é responsável por quase um terço do aumento das temperaturas globais desde o início da Revolução Industrial.
O flaring é usado na Venezuela há muito tempo, mas, nas últimas décadas, corrupção, má gestão e infraestrutura insuficiente levaram o país a queimar ainda mais gás em vez de coletá-lo e utilizá-lo.
Em 2023, o país foi o quito que mais usou esse método no mundo, de acordo com o Relatório Global de Rastreamento de Queima de Gás produzido pelo Banco Mundial. No ano passado, a Venezuela liberou mais de 40% de seu gás, "um número insano", afima Jason Bordoff, diretor fundador do Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia.
Bordoff diz que um governo democraticamente eleito na Venezuela que pudesse atrair investimento internacional poderia beneficiar o clima do planeta.
"O petróleo venezuelano sempre terá uma pegada de carbono mais alta, mas poderia ser muito melhor do que hoje", diz Bordoff.
A indústria petrolífera enfraquecida da Venezuela agravou sérios problemas ambientais no país.
De 2010 a 2016, a estatal PDVSA divulgou mais de 46 mil episódios de derramamentos de petróleo.
Um ano depois, a empresa anunciou que pararia de relatar derramamentos, mas pesquisadores independentes continuaram a descobrir dezenas de novos casos a cada mês, colocando em risco os manguezais, corais e vida marinha da Venezuela.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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