
08/01/2026
A indústria da moda tem um impacto enorme no planeta e nas pessoas: as roupas que usamos podem ser fabricadas de maneira responsável, usando com consciência recursos naturais e garantindo o cuidado com quem faz parte dessa produção. As peças também podem usar matérias-primas poluentes, produzidas de forma insustentável e a mão de obra de pessoas que trabalham sem condições básicas. Como consumidores, podemos escolher entre um ou outro caminho na hora de decidir nossas compras. Mas como fazer isso?
Em um mundo globalizado, rastrear os produtos que compramos nem sempre é fácil ou possível. Mas, a indústria global da moda está se preparando para um nível de transparência que pode ser impresso nas etiquetas das roupas. Até 2027, as peças de vestuário que entrarem na União Europeia poderão ser obrigadas trazer seus “passaportes digitais de produto (DPPs)”, oferecendo aos consumidores uma visão sem precedentes do impacto ambiental e social de cada iterm.
Esses passaportes digitais poderão ser acessados por meio de códigos QR ou etiquetas inteligentes e vão revelar toda a história de uma peça de roupa: onde foi fabricada, do que é feita, quanta energia e água foram utilizadas em sua produção e até mesmo quem esteve envolvido em cada etapa.
A iniciativa faz parte do esforço mais amplo da União Europeia para erradicar o greenwashing , a prática de fazer com que os produtos pareçam mais ecológicos do que realmente são.
“À medida que os consumidores valorizam cada vez mais a sustentabilidade e a transparência, o passaporte digital do produto pode ser uma ferramenta fundamental para fornecer registros detalhados sobre a pegada ambiental de cada peça de tecido”, disse Asif Ibrahim , vice-presidente do Grupo Newage de Indústrias em Dhaka, capital do Bangladesh.
O passaporte digital do produto pode parecer algo futurista, mas está se tornando realidade rapidamente. E para um setor frequentemente criticado pela falta de transparência e pelos danos ambientais, ele pode ser um divisor de águas.
Se implementados com sucesso, esses passaportes podem capacitar os consumidores a fazer escolhas cada vez mais conscientes, pressionar as marcas a comprovar suas alegações de sustentabilidade com dados e ajudar os órgãos reguladores a responsabilizar as empresas.
Em 2027, uma simples leitura da etiqueta de uma roupa poderá revelar muito mais do que tamanho e preço. Poderá indicar o caminho para uma indústria da moda mais sustentável e transparente.
A indústria global da moda movimenta US$ 1,7 trilhão. O número impressiona, mas vem acompanhado de impactos ambientais e sociais proporcionais ao impacto econômico. Muitas marcas usam seu marketing para falar sobre sustentabilidade, mas nem sempre de forma honesta. Um relatório do Greenpeace de 2023 constatou que muitas das informações divulgadas por empresas do setor não são verdadeiras, principalmente quando o assunto é reciclagem e o destino dado às peças após a sua vida útil ou mesmo às peças que foram produzidas e não foram vendidas “na última coleção”.
Vale lembrar que o Chile recebe toneladas e toneladas de roupas que formam uma montanha no deserto do Atacama – uma estrutura impressionante que já pode inclusive ser vista do espaço.
Outro exemplo citado pelo Greenpeace são as marcas que destacam o conteúdo reciclado em suas roupas sem mencionar que grande parte dele provém de garrafas plásticas, não de resíduos têxteis, uma prática que pouco contribui para reduzir a dependência da indústria em relação a matérias-primas virgens. Nesse cenário, outro fator negativo é o impacto que as roupas com materiais plásticos em sua composição trazem ao meio ambiente, liberando microplásticos no processo de lavagem que vão parar nos corpos d’água e, depois, nos oceanos.
“Fornecer dados autênticos e rastreáveis em toda a cadeia de suprimentos é fundamental para acabar com a prática de greenwashing”, disse Rezwan Ahmed, CEO da Aus Bangla Jutex Ltd, que produz acessórios a partir de algodão reciclado e orgânico.
Leia a reportagem na íntegra clicando no CicloVivo
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