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Mulheres emitem 26% menos gases de efeito estufa, diz estudo

15/01/2026

Homens e mulheres não têm a mesma pegada de carbono, e a diferença é significativa. Um estudo do Instituto Grantham, ligado à London School of Economics (LSE), revelou que as mulheres emitem, em média, 26% menos gases de efeito estufa (GEE) por ano do que os homens. A análise considerou hábitos de transporte e alimentação na França, responsáveis por cerca de metade das emissões individuais, e encontrou um padrão consistente: enquanto os homens geram cerca de 5,3 toneladas de CO₂ equivalente por ano, elas emitem 3,9 toneladas.
A pesquisa destaca que a crise climática também é moldada por costumes e padrões culturais de consumo, e não apenas por decisões políticas ou avanços tecnológicos. Entre os principais fatores da diferença está o uso do transporte, no qual os homens tendem a usar mais o carro particular, enquanto as mulheres optam mais por meios coletivos ou de menor impacto. A alimentação também aparece como vetor importante, o consumo de carne é maior entre os homens.
Embora o estudo tenha sido feito na França, especialistas apontam que os padrões se repetem em diferentes países, inclusive no Brasil. “A discussão sobre clima precisa ir além da tecnologia e incluir nossos hábitos cotidianos. A forma como nos deslocamos, o que comemos e como consumimos têm peso real na conta de carbono. Quando olhamos os dados com esse recorte, percebemos que mudar padrões culturais pode ser tão poderoso quanto criar uma solução tecnológica”, afirma Fernando Beltrame, CEO da Eccaplan e especialista em estratégia Net Zero.
O especialista destaca que não se trata de apontar culpados, mas de reconhecer que gênero, assim como renda, classe social e acesso à infraestrutura, influencia diretamente o impacto ambiental de cada pessoa. “Essas informações ajudam a desenhar políticas públicas mais eficazes e também a orientar estratégias empresariais mais realistas e inclusivas”, pontua.
Beltrame também ressalta a importância de dados rastreáveis e comparáveis para orientar ações de compensação e mitigação de emissões. “Hoje, já é possível calcular com precisão a pegada de carbono de comportamentos cotidianos, como a escolha do transporte ou de itens no carrinho do supermercado. Esse nível de detalhamento permite que empresas e indivíduos não apenas mensurem seu impacto, mas tomem decisões mais embasadas na hora de compensar emissões. Quanto mais transparente e acessível for esse tipo de dado, mais eficaz será a construção de soluções climáticas integradas e verificáveis”.
Além de análises internacionais, já existe uma forma gratuita e simples de estimar a pegada de carbono de comportamentos cotidianos, como o uso de transporte, consumo de energia e alimentação.
A plataforma brasileira CarbonFair, desenvolvida pela Eccaplan, permite que qualquer pessoa calcule suas emissões com base no que consome, mesmo que só tenha em mãos o valor gasto com gasolina, energia elétrica ou passagem de avião.
A calculadora considera preços médios nacionais atualizados para converter gastos em unidades físicas, como litros ou quilometragem, e aplica os fatores oficiais de emissão. Isso permite identificar o impacto real de decisões simples do dia a dia. Casais, colegas de trabalho ou membros da mesma família podem, por exemplo, comparar seus perfis de emissão e refletir juntos sobre escolhas com menor impacto. Com acesso gratuito, a ferramenta reforça que medir é o primeiro passo para reduzir, e que a transformação climática também começa em casa.
Uma outra pesquisa, realizada pela Descarbonize Soluções, empresa especializada em energia solar, revelou que as mulheres estão mais decididas a transformar seu cotidiano rumo a uma vida sustentável. Quando perguntadas se pretendem mudar algum hábito em 2026 para viver de maneira mais consciente, 52% das mulheres afirmaram já ter planos concretos, enquanto, entre os homens, esse índice cai para 43%.
Essa diferença de postura aparece também na forma como cada grupo percebe os riscos climáticos. Enquanto 61% das mulheres acreditam que, nos próximos 20 anos, o planeta enfrentará desastres naturais frequentes e graves, esse número é de 51% entre os homens. A percepção sobre escassez futura também se diferencia: 59% das mulheres esperam maior falta de água, energia e alimentos, contra 42% dos homens (uma diferença de 17 pontos percentuais).
Os homens também demonstraram maior falta de informação ou conhecimento sobre o tema, mencionada por 15% deles. Entre as mulheres, o índice foi de 11%.
Essa diferença pode indicar que, enquanto as mulheres tendem a buscar mais informações e se engajar de maneira prática no tema, parte dos homens ainda enfrenta barreiras relacionadas ao acesso ou à busca ativa por conteúdos sobre sustentabilidade, o que pode influenciar a intenção de mudar hábitos no próximo ano.
Para essa pesquisa, a Descarbonize entrevistou 500 brasileiros de todos os estados do país, incluindo mulheres e homens, com idade a partir dos 18 anos e de todas as classes sociais. Os dados do estudo foram levantados via plataforma de pesquisas online no dia 4 de novembro de 2025.

Fonte: CicloVivo

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