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Promessa de petróleo em Oiapoque atrai brasileiros do exterior e transforma região: ´É um bairro atrás do outro´

15/01/2026

Há 35 anos, a paraense Sheila Cals decidiu cruzar o rio Oiapoque, no extremo norte do Brasil, para poder oferecer uma vida melhor aos filhos, na Guiana Francesa, o território francês que faz fronteira com o estado do Amapá.
Mas em Caiena, a capital franco-guianense, a costureira de 69 anos começou a ouvir de amigos há cerca de dois anos que era a hora de voltar ao Brasil —mais especificamente à cidade de Oiapoque (AP). Ela achou que era mesmo a hora.
"Sempre foi meu sonho voltar ao Brasil. E agora ficamos na expectativa de acontecer aqui o que aconteceu na Guiana, no Suriname", diz Sheila, já em sua nova casa, em Oiapoque.
Ela se refere ao "boom" econômico com a exploração de petróleo nos países vizinhos —uma esperança presente nos novos e velhos moradores dessa cidade do Amapá de 30 mil habitantes, ligada à capital, Macapá, por quase 600 km de estrada, 100 deles sem asfalto.
Na ponta mais ao norte do Brasil, Oiapoque é o município mais próximo da chamada bacia da foz do rio Amazonas, na Margem Equatorial, onde a Petrobras iniciou a prospecção para exploração de petróleo em águas profundas.
Autorizada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em outubro após anos de expectativa e de embates dentro do próprio governo Lula sobre o impacto ambiental do projeto, a Petrobras deve seguir as pesquisas até março de 2026, para saber se a exploração de petróleo ali, a 150 quilômetros da costa, é economicamente viável.
Em 6 de janeiro, a Petrobras interrompeu a perfuração do poço após identificar vazamento de um fluido usado para limpar e lubrificar a broca que auxiliava na perfuração. A empresa não informou quando retomará os trabalhos.
Caso a exploração de petróleo se concretize, cidades litorâneas do Pará e Amapá, especialmente Oiapoque, devem receber os royalties, num fluxo de dinheiro inédito ali.
Os recursos são uma compensação financeira paga pelas empresas produtoras, no caso a Petrobras, como remuneração pela exploração de recursos não renováveis. A cidade que mais recebe royalties no Brasil, Maricá (RJ), arrecadou R$ 2,6 bilhões em 2025.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a exploração da Margem Equatorial pode elevar o PIB do Amapá em até 61,2%, além de gerar cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos. O Amapá é hoje o Estado com o terceiro menor PIB do Brasil, à frente apenas de Acre e Roraima.
Em Oiapoque, pouco se cogita a possibilidade desses royalties não se concretizarem —e só a especulação já tem mudado a dinâmica da cidade e trazido migrantes de outros municípios, outros estados e até outros países, como a própria Sheila.
"Eu vim também pela melhoria que eu tenho certeza que o petróleo vai trazer para o município. É a expectativa de todos os moradores", diz a moradora do Belo Monte, bairro que está na zona de expansão da cidade movida pelos migrantes.
Essa região, nos arredores do aeródromo de Oiapoque, sofreu uma transformação drástica nos últimos anos, com desmatamento e construção de centenas de casas em ocupações sem nenhuma estrutura.
Nas contas de Zione de Paiva, conhecida como a Loira do Belo Monte, presidente da associação do bairro, mais de 100 casas foram construídas só ali no último ano, chegando a 450.
"São pessoas que estão vindo para Oiapoque atrás de um emprego, atrás de uma oportunidade", diz Loira.
Além do Belo Monte, ocupações ainda mais recentes, como Areia Branca, Nova Conquista e Independência, tem visto, dia após o outro, novas construções subindo e novos moradores chegando.
A prefeitura de Oiapoque —cujo comando está nas mãos do presidente da Câmara dos Vereadores, Pedro Guido (PP), após o prefeito Breno Almeida (PP) ser cassado por compra de votos— não contabiliza os novos moradores que estão chegando. Mas alguns dados dão algumas pistas.

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